Mostrando postagens com marcador atualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador atualidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Procura-se



Era uma vez um homem que passava uma parte considerável dos seus dias a mexer no lixo alheio. Explicava, a quem desejasse saber, que procurava uma alma. Perdera a sua e, por isso, precisava encontrar outra com urgência. Acrescentava que o local mais óbvio para procurar era entre o lixo dos outros. Pois se a bondade apenas se destaca quando contraposta à maldade, se a virtude apenas o é em relação ao pecado, se a verdade apenas existe enquanto a mentira existir, em que outro local procurar a pureza senão entre a impureza? Sorria e continuava a revolver o lixo.

Paulo Kellerman
em "Miniaturas"

Fotografia de Fred Veras


sexta-feira, 18 de março de 2011

Desafio


Você sabe investir no seu tempo?


Seja qual for a sua resposta, uma coisa é certa: bem ou mal investido, ele vai acabar.

O ano passa voando e temos a sensação de que 24 horas é pouco para um dia. Mesmo com uma boa dose de priorização e planejamento a vida é cada dia mais corrida... ufa! O tempo passa rápido, e é melhor aprender a lidar com ele antes que ele nos ultrapasse.


Você já ouvir falar sobre o "tempo do relógio" e o "tempo do evento"? Eu não conhecia estes termos até ler um artigo numa revista. É assim:

- No tempo do relógio é ele quem comanda o início e o fim de cada uma das atividades do seu dia.
- No tempo do evento, as atividades começam e terminam quando os envolvidos consideram que é a hora certa. Ou seja, é basicamente uma absoluta falta de urgência.

Nossa sociedade capitalista nos insere no tempo de relógio todos os dias. Não dá para negar: o mundo é de quem pensa mais rápido e pensa mais longe. Mas é preciso lembrar que ao lado do acelerador fica o freio... Saber usá-lo vai ser muito importante para que seu dia tenha duas dúzias de horas e seu ano não passe em branco. Afinal, se o mundo acelera, o jeito é curtir a velocidade: acelerar sim, mas sem perder o ritmo.

É ou não é um desafio? Experimente... hoje é sexta-feira. Nada melhor do que um final de semana para aprender a viver no tempo do evento...


Leia aqui: "Mercado do Tempo"


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tempos modernos


O maior desafio de nossa triste época: querer que as crianças aprendam sem exemplos...

Como transmitir ensinamentos morais às crianças hoje em dia? Num momento de total desilusão, Quino - o cartunista argentino autor dos quadrinhos da Mafalda - expressou em suas tirinhas seu sentimento a cerca dos valores da educação atual...










segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Michael Wolf


Todos nós que vivemos numa cidade grande sabemos como pode ser difícil o transporte público. Um dos maiores desafios em nossa vida urbana é o deslocamento diário entre nossa casa e o trabalho, seja no próprio carro, enfrentando o caos do trânsito, ou nos ônibus, trens e metrôs... lotados...

O fotógrafo alemão Michael Wolf muniu-se de sua câmera e durante trinta dias captou a realidade do metrô da linha mais movimentada de Tóquio, por onde passam em média seis milhões de passageiros por dia.


As fotos, que fazem parte do projeto Tokyo Compression falam por si: indivíduos que fazem parte de uma grande massa anônima, concentrados num mesmo espaço, partilhando empurrões, pisões, odoroes, suores e dores...

A linha de metrô “Odakyu” oferece a seus usuários um trem a cada oitenta segundos na hora do rush, e mesmo assim não é o suficiente. O trem para, os passageiros entram – e a porta se fecha. Instala-se então a confusão costumeira: as pessoas são esprimidas contra as janelas, empurradas, pisadas e muitas vezes sufocadas por cheiros não muito agradáveis...


É então que a objetiva de Michael Wolf registra, através das janelas, os rostos e as emoções dos japoneses que, já no início da manhã, se vêem literalmente comprimidos entre milhares de desconhecidos.

Michael Wolf, que tem 46 anos, ficou conhecido por seu estilo “voyuer”. Em seus trabalhos são muito freqüentes a captação de momentos do dia-a-dia: cenas tão corriqueiras que por todos passam desapercebidas, mas o talento de Michael destaca o detalhe que se torna um grande revelador de pormenores que surpreendem...


Ao perceberem que estavam sendo fotografadas, alguns sequer demonstravam qualquer reação: a luz dos flashes era somente mais um acontecimento sem importância. Outros fechavam os olhos e cobriam a cara com as mãos, incomodados.


O que não se vê, em nenhum momento, são rostos sorridentes...

Wolf descreveu a situação como “o inferno dos transportes suburbanos". Essa experiência bizarra mostra toda a incapacidade do homem urbano de lutar contra o desconforto.


Veja aqui o website do fotógrafo.



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia da Pátria

.
Ontem foi 7 de setembro, dia da Pátria, e não posso deixar de publicar uma crônica do querido amigo Fernando Campanela que exprime tão bem os sentimentos de nós, brasileiros:
.
foto
Fotografia de Leto Carvalho
.
Neste dia da Pátria, examinemos alguns chavões que vêm acompanhando, ao longo de nossa história, a nossa mãe gentil:

- Dos descobridores tivemos: ‘...em se plantando (em terra brasilis) tudo dá.'
Estavam certos os navegantes. De azeitonas a abacaxis, de cerejeiras a Flamboyants... Mas melhor reconsiderarmos o uso dos agrotóxicos.

- De Charles de Gaulle, ouvimos, supostamente, a pérola: ‘O Brasil não é um país sério.’ Ironicamente, se o fôssemos, sr. estadista, não teríamos entregado nosso ouro, teríamos estabelecido colônias na África e na América.

- Do ufanismo, a máxima: ‘O Brasil será o celeiro do mundo.’
Melhor seria, senhores ufanistas, que nosso país fosse celeiro de si próprio, em primeira instância, pois assim eliminaríamos nossos bolsões de Biafras e Haitis.

-Da ditadura: ‘Brasil, ame-o ou deixe-o.’
Os formuladores dessa bravata realmente não conseguem entender que são os próprios políticos que dão ‘bye-bye’ ao país, refugiando-se em seus paraísos fiscais, os primeiros a deixarem para trás nosso país como um modelo de pátria.

Dos ecologistas: 'A amazônia é o pulmão do mundo'.
Muita responsabilidade para esse 'pulmão' arcar com a poluição de todo um planeta, incluso o Brasil.

-Do futebol: ‘Pra frente, Brasil!’
Está certo, sempre pra frente, sem nos esquecermos de que futebol e carnaval não solucionam os problemas de uma nação. Atrás vem injustiça, e gente.

-Do nosso imaginário: ‘Deus é Brasileiro.’
Que maravilha, porém os ‘milagres’ de saúde pública e educação para todos ainda não aconteceram por aqui.

-Da geografia: ‘O Brasil é um país sem cataclismos, sem grandes desastres naturais.’
Sim, porém o clima e a terra também se ressentem de tanto abuso, e maus tratos.

- E, finalmente, da voz geral: ‘O Brasil é um país do futuro.’
Há anos ouço tal previsão. Espero que eu não morra sem vê-la cumprida.

E por falar em país do futuro, vamos torcer para que o ‘Pré-Sal’, não seja mais um ufanismo brasileiro, mais um motivo para entreguismo, ou mais um bolo jamais repartido. E, com tanto petróleo a ser descoberto em nossas águas, que o Iraque não venha a ser aqui.

Feliz dia da Pátria a todos.


Fernando Campanella
07 de setembro de 2009



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Seu robô pessoal

.
Essa semana uma imagem chamou minha atenção num notíciário: uma idosa segurando um "bebê foca"... Só que esse "bebê foca" é um robô, mais precisamente um "robô pessoal". A idosa é residente em um asilo para portadores de demência, em Washington.
.
Foto: The New York Times
Idosa segura "robô pessoal", modelado com objetivo terapêutico para pacientes com demência
.
O referido "robô" se move quando é acariciado, pisca os olhos quando se acendem as luzes, abre os olhos quando se faz barulho e geme quando o seguram de forma descuidada. Sob seu pelo sintético branco, existem dois microprocessadores, responsáveis pelo ajuste de seu comportamento, baseados em informações de dezenas de sensores capazes de monitorar som, temperatura, luz e toque. Ao chamá-lo pelo nome, ele responde, pois é capaz de aprender um pequena quantidade de palavras.
.
Idosa (à dir.) segura "robô pessoal" modelado com a aparência de uma foca para ter propriedades terapêuticas para pacientes com demência
.
Robôs deste tipo têm sido amplamente usados para apoiar, fazer companhia e até acalmar pacientes em hospitais e escolas, além de alimentar toda espécie de ficção científica sobre máquinas capazes de se relacionarem com os seres humanos.
.
.
Se você dispõe de alguns milhares de dólares para gastar, pode ser o feliz dono de um robozinho destes, com personalidade perfeitamente modelada à sua escolha e necessidade. Eles podem ser sensíveis ao som, responder perguntas simples, rir de suas piadas... Por isso têm sido de grande ajuda no combate a solidão dos idosos residentes em asilos, ou mesmo em suas casas. Pelo mundo afora as pessoas idosas vivem sozinhas, sem ter com quem conversar, e esses robôs não se importam nem um pouquinho em ouvir as mesmas histórias mais de uma vez...
.
.
Mas, se você ainda não chegou a essa idade, nem por isso fica de fora do alcance desta tecnologia. Existem outros tipos de robôs, programados para ajudar aqueles pais que vivem ocupados e não têm tempo de brincar com seus filhos. Eles são capazes de acessar a Internet, conseguem desenhar e distrair as crianças enquanto seus pais trabalham.
.
.
E se você estiver precisando fazer uma dieta, que tal ter um robô obstinado em fazê-lo emagrecer? Ele vai ficar na sua cozinha, controlando tudo o que você comer e monitorando os exercícios físicos que você pratica. E ele fala com você! Imagine-se comendo um generoso pedaço de pudim, e ouvindo seu robô dizer: "Ei! Não faça isso! Tenha vergonha na cara e vá comer uma salada!"
.
.
E não poderia faltar o robô do sexo. Elaborado a partir de um sistema que memoriza frases ditas por pessoas próximas, ele conversa com o seu dono, e é capaz de ter um orgasmo! Os criadores estão aprimorando a linha, tentando reproduzir robôs com personalidades diferentes, que vão desde a mais desinibida até a mais tímida e reservada. E os futuros "esposos" podem, ainda, escolher a cor dos olhos, do cabelo...
.
.
A tecnologia da robótica chegou para ficar, e a cada dia sua aceitação vai crescendo, e mais e mais pessoas vão adquirindo seus "robôs pessoais"...
.
Finalizo este post com um perguntinha bem simples: você faria sexo com um robô?
.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Olhar as estrelas

.
.
“Havia um homem apaixonado pelas estrelas. Para ver melhor as estrelas ele inventou a luneta. Aí formou-se uma escola para estudar a sua luneta.
Desmontaram a luneta. Analisaram a luneta por dentro e por fora.
Observaram os seus encaixes. Mediram as suas lentes. Estudaram a sua física ótica.
Sobre a luneta de ver as estrelas escreveram muitas teses de doutoramento.
E muitos congressos aconteceram para analisar a luneta.
Tão fascinados ficaram pela luneta que nunca olharam para as estrelas.”
.
Rubem Alves
.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Gentileza


No sábado passado, dia 29 de maio, completou-se 14 anos da morte do Profeta Gentileza.
.
Em pleno centro urbano, carioca e contemporâneo, lá estava ele, conduzindo seu estandarte cheio de apliques estranhos, levando a todos a sua palavra...
.
O que primeiro chamava atenção nele era a sua aparência estranha... e só depois do primeiro impacto conseguíamos perceber seu sorriso e sua gentileza. Com sua bata branca, andando pela rua, entre os carros que passavam apressados parecia um ser extemporâneo. Não de um momento futuro nem de um tempo passado, mas de um instante sagrado que não existe mais...
.
.
Sentimos sua falta, Profeta...
.
.
“Já há algum tempo que venho pensando e querendo gentileza.
Como tenho sentido falta de gentileza!
Aquela que chamo de gentileza urbana: ceder o acento para uma pessoa mais idosa, mais cansada; abrir a porta, seja do carro, do elevador, de casa, do bar; ajudar com a bagagem, com as compras; olhar nos olhos e dizer: bom dia, tenha uma boa tarde, por favor, obrigada, seja bem vindo, volte sempre; sorrir; ouvir; deixar passar; ceder a vez; oferecer.
.
Oferecer encanto, cortesia, graça. Oferecer um beijo, um minuto de atenção.
.
Ultimamente, as pessoas têm se colocado tão sem tempo, que esquecem de ser gente.
Esquecem que ser gente é ser carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo”.
.
Adriana Falcão
in "Pequeno dicionário de palavras ao vento"
.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A arte da confiança

.
Prisoner of Love, by Erte

.
"Muitas pessoas estão tão acostumadas com a tristeza, que a sensação de Felicidade lhes parece estranha ...
Tão reprimidas, que a elas incomoda a Ternura.
E o Amor lhes inspira desconfiança."
.

.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Para quê vivi

.
.
Três paixões, simples mas avassaladoras, me dominaram a vida: o desejo de amor, a busca do saber e a insuportável piedade pelo sofrimento humano. Três paixões, como vendavais, me lançaram aqui e ali, em rumo desordenado, sobre as profundezas de um mar de angústia beirando o desespero.
.
Busquei o amor, primeiro, por trazer consigo o êxtase – êxtase tão imenso que, muitas vezes, teria de bom grado sacrificado todo o resto de meus dias por algumas horas de felicidade. Busquei-o depois para alívio da solidão – a terrível solidão na qual uma trêmula consciência vê, dos confins do mundo, o frio, imponderável e inerme abismo. Busquei-o, enfim, porque, na união do amor vislumbrei, em mística miniatura, um esboçar da visão do paraíso imaginada por santos e poetas. Foi o que busquei e, embora talvez pareça bom demais para um ser humano, foi – finalmente – o que encontrei.
.
Com idêntica paixão, busquei o saber. Quis entender os corações dos homens. Quis saber por que brilham as estrelas. E tentei captar o significado da potência pitagórica na qual o número sobrepuja o fluxo. Disso, um pouco, mas não muito, consegui. Amor e saber, no que me foi possível, elevaram-me aos céus.
.
Mas, sempre, tristeza e pena traziam-me de volta à terra. Ecos dos gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas pelo opressor, velhos indefesos – carga odiada pelos filhos – e todo um mundo de solidão, pobreza e dor, caricatura do que deveria ser a vida humana. Desejo aliviar o mal mas não consigo, e também eu sofro.
.
Foi essa minha vida. Valeu a pena vivê-la e a viveria novamente, se me fosse dada a oportunidade.
.
Bertrand Russel

.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quanto custa?

.
.
Dezembro pode, sem sombra de dúvidas, ser chamado de o "mês dos supérfluos". Longe de mim fazer oposição ao sistema capitalista, mas um pouco de reflexão nunca é demais. Afinal, comprar supérfluos de vez em quando não é crime. Uma festa, uma data especial, um aniversário de uma pessoa querida podem justificar a compra de algo supérfluo. Nestes casos, o supérfluo torna-se necessário, justamente para marcar a data. É preciso, no entanto, tomar o cuidado de não multiplicar as datas comemorativas a ponto de praticamente não haver mais dias “normais”. Sob o pretexto do “eu mereço”, muitas vezes nós nos concedemos compensações que acabam no... consumismo!
.
Notem bem: consumo é diferente de consumismo. Consumismo é uma doença, uma compulsão para consumir. Essa compulsão pode atacar em vários graus, desde aquela compra ocasional em que se chega em casa com a sensação de que não precisava ter comprado aquele aquecedor de travesseiros que parecia ser tão útil quando você estava na loja, até o closet transbordando com 365 pares de sapato. Vejamos alguns sinais inequívocos de que o vírus do consumismo está instalado no seu organismo:
.
1) Sempre que você vai comprar alguma coisa, em vez de sair do Shopping Center com apenas uma sacolinha na mão, você sai com várias sacolas;
2) Aquele relógio, ou aquela aparelhagem de som, ou mesmo aquele automóvel que você comprou no ano passado lhe parece insuportavelmente velho e ultrapassado, precisando urgentemente ser trocado;
3) Seu cartão de crédito vive sempre no vermelho;
4) Você fica arrasado, humilhado, e se sente o pior dos mortais, verdadeiramente rebaixado, quando seu vizinho, ou seu primo, ou seu colega de trabalho aparece com um objeto super moderno, super atual e super caro;
5) Os objetos de marca exercem um fascínio irresistível sobre você;
6) Ir às compras é o seu hobby predileto.
.
Quem não gosta de fazer umas comprinhas, não é mesmo? Mas o consumismo desenfreado é uma doença terrível: já foi o causador de muitas brigas conjugais, e até de divórcios e separações. Destrói orçamentos, e pode até levar você à falência... Como fazer para não ser mais uma vítima desse mal?
.
Primeiramente procure ter discernimento: procure distinguir o essencial do necessário, e o necessário do supérfluo.
.
* Por exemplo: para matar a sede, precisamos de água. Água, portanto, é essencial.
* Se estiver gelada, a água mata a sede mais depressa. Portanto, água gelada é algo necessário.
* Agora, a Bling H2O, com uma garrafa decorada com cristais Swarovski, vendida em Londres por £40 o litro (ou R$ 141,10), definitivamente é supérfluo.
.
Simples, não é? Sem o essencial não podemos viver; sem o necessário, vivemos com alguma dificuldade. Mas sem o supérfluo podemos viver! A vida do consumista está abarrotada de supérfluos.
.
.
Pesquisando este tema, encontrei imagens de forte apelo visual, de uma campanha criada pela "Cordaid", com o objetivo de ajudar aos grupos mais vulneráveis da sociedade, particularmente adultos e crianças que enfrentam a discriminação ou exclusão social.
.
A idéia, bastante simples mas com resultados marcantes, é relacionar o preço que se paga por produtos classificados como supérfluos, ou seja, que são considerados artigos de luxo, com o que se paga para dar o mínimo de dignidade aos povos necessitados da África. Colocando artigos de luxo nas mãos de pessoas mais desfavorecidas, cria um desconforto visível naqueles cujos objetos fazem parte da sua rotina. De resto as imagens falam por si...
.
Apreciem:
.
Óculos de sol: 24 euros – acesso à água: 8 euros.
.
Loção após barba: 35 euros – itens básicos para moradia: 6,50 euros
.
Tulipa de Chopp: 4,50 euros – 50 litros de água fresca: 1,50 euros
.
Bolsa: 32 euros – alimentos por uma semana: 4,00 euros.
.
O consumismo custa caro! Não só financeiramente, mas humanamente falando. Evitamos o consumismo com o objetivo de alcançar uma vida financeira mais saudável e, no final das contas, mais feliz. Porque, ser escravo do supérfluo, por mais doce que pareça, nada mais é do que uma falta de liberdade, que acaba por tornar o ser humano infeliz.
.

.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A familia "encolheu"

..
Se você tem 40 anos ou mais, provavelmente se lembra daqueles grandes almoços de família aos domingos, na casa da mãe ou da avó. Desses almoços faziam parte pelo menos outros dez ou vinte parentes. Lá em casa de minha avó era assim: todos chegavam cedo, e as mulheres se reuniam na cozinha para preparar o almoço, a massa do espaguete, o frango assado, a salada...
.
E era uma verdadeira festa. Não faltava a sobremesa, o vinho, a cerveja... A conversa e a comilança se estendia até a noite, quando as mulheres iam para a cozinha preparar um lanchinho, invariavelmente uma pizza, para finalizar o encontro.
.
.
E só então todos iam embora...
.
Mas, há uns vinte anos, minha avó precisou vender a casa. A idade foi chegando e ela se sentia incapaz de cuidar de uma casa tão grande, e se mudou para um apartamento próximo a casa de minha tia. Como resultado disso, o número dos convidados para o almoço de domingo caiu consideravelmente. Meus primos foram os primeiros a desistir e não aparecerem mais. Meu irmão também deixou de visitar a vovó semanalmente. Meus tios se divorciaram.... Meus pais faleceram e aqueles grande almoços de família ficaram somente na memória. Nem lembro mais quando foi a última vez que minha família se reuniu.
.
E é assim: hoje em dia essa tradição ficou mesmo para trás, excluída de um tempo onde todos têm muita autonomia desde cedo. Esse encolhimento da família acontece na maioria das casas brasileiras. Aquela família enorme, com dezenas de primos, tios e agregados está em extinção.
.
Os estudos mostram alguma causas para esse fenômeno:
.
1) A queda acentuada da taxa de fecundidade: na década de 70 cada familia gerava entre 6 e 7 filhos; hoje essa taxa caiu para 1 e 2 filhos.
.
2) O grande número de separações: segundo o IBGE, o número de divórcios no Brasil aumentou em 52% nos ultimos dez anos.
.
3) A desfragmentação dos núcleos familiares: os laços com primos de graus distantes e tios de gerações anteriores perderam a força; a família nuclear, composta de pais e filhos, é mais individualista, e não aceita a interferência dos parentes mais distantes na educação de suas crianças.
.
4) A taxa de urbanização no Brasil nos anos 80 era de 65% e hoje é de 83,5%: as famílias se cindiram, com parentes mudando-se do campo para os centros urbanos.
.
5) A transformação social: há doze anos 56,5% das famílias tinham filhos morando em casa. Em 2007, esse número baixou para 49%. Muitas famílias hoje em dia tem os filhos morando em outras cidades, e até mesmo em outros países
.
Éramos tantos e hoje somos tão poucos!
.
.
Os casais têm menos filhos, os filhos se dispersam, os primos desaparecem, ninguém quer opinião da tia – e as famílias enormes viram um retrato na parede.
.


.

Fonte: Revista Veja

.

domingo, 8 de novembro de 2009

Por nossas crianças...

.
Foto daqui
.
“Um dia as crianças aprenderão palavras difíceis de compreender!
.
As crianças da África vão perguntar:
- Mas o que é fome?
.
E as crianças americanas ou da África do Sul perguntarão:
- E o que é segregação racial?
.
As crianças japonesas perguntarão, curiosas:
- O que é bomba atômica?
.
E todas as crianças do mundo perguntarão:
- Guerra? O que é isto?”
.
Debruyne
.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma a uma

.
.
"Acho que nós estamos na época de ir juntando pedrinhas até formar um muro forte.
Pode ser que eu esteja fazendo um papel quixotesco, pois afinal, tenho alma de camelô e de lavadeira.
No entanto, no dia em que D. Quixote deixou de sonhar, morreu."
.
João Antônio
,

sábado, 8 de agosto de 2009

.
.
"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras
e por tudo isso ando cada vez mais só. "
.
Caio Fernando Abreu

.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Encontros e desencontros

.
.
"À primeira vista, o mundo parece uma multidão de solidões amontoadas,
todos contra todos, salve-se quem puder;
mas o sentido comum, o sentido comunitário, é um bichinho duro de matar.
A esperança ainda tem quem a espere, alentada pelas vozes que ressoam
desde nossa origem comum e nossos assombrosos espaços de encontro.
.
Eu não conheço felicidade maior que a alegria de reconhecer-me nos demais. Talvez essa seja, para mim, a única imortalidade digna de fé.
Reconhecer-me nos demais, reconhecer-me em minha pátria e em meu tempo,
e também me reconhecer em mulheres e homens que são meus compatriotas,
nascidos em outras terras, e reconhecer-me em mulheres e homens
que são meus contemporâneos, vividos em outros tempos.
.
Os mapas da alma não têm fronteiras."
.
Eduardo Galeano

.
.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Cegos de medo

.
.
- Por que foi que cegamos?
Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão.
- Queres que te diga o que penso?
- Diz.
- Penso que não cegamos, penso que estamos cegos,
Cegos que vêem,
Cegos que, vendo, não vêem".
.
José Saramago
Trecho de Ensaio Sobre a Cegueira

.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

...