Desde os quatro anos de idade começou a frequentar aulas de balé clássico, e já na adolescência fazia apresentações ao som do piano de sua mãe.
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A dança era a sua vida, e desde cedo seu temperamento transgressor e personalidade libertária fizeram com que abandonasse as normas e padrões da época. Não gostava de ser chamada de dançarina. A dança para ela era uma "expressão da alma".
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Rompendo com o balé clássico e as sapatilhas de ponta, foi a precursora da dança moderna.
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Aos 11 anos Isadora já desenvolvia uma maneira própria de dançar, e prodígio que era começou a dar aulas de sua nova técnica.
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Apresentava-se livremente descalça, com trajes esvoaçantes e cabelos soltos..., inspirada nas danças rituais da Grécia Antiga, o que causou escândalo entre a conservadora mentalidade da época. Suas apresentações em espetáculos solo eram baseadas em improvisações, dando ênfase aos gestos corporais assimétricos. Seus movimentos eram inspirados nos fenômenos na natureza, como o fluir das ondas do mar, do vento, e força das tempestades.
Isadora inovou também com o repertório musical. Incorporou aos seus trabalhos peças de Chopin e Wagner, que na época eram executadas somente em recitais, ou seja, música para ser apenas "ouvida"...
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“Tive três grandes mestres, os três grandes precursores da dança no nosso século: Beethoven, Nietzsche e Wagner”
... dizia ela, que gostava de citar o filósofo Friedrich Nietzsche entre os compositores alemães.
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E não parou por aí: a estética do palco para Isadora também foi um meio de revolução: utilizava apenas uma cortina azul como cenário, visando valorizar apenas a expressividade do dançarino sem o uso de subterfúgios considerados por ela como artificiais e vazios.
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."A beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo que é seu símbolo..."
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Isadora percorreu o mundo com a sua arte. Abriu escolas de dança em Berlim, Paris e em Moscou. Em 1904 fundou sua primeira escola de dança, em Grunewald, na Alemanha, dirigida por sua irmã Elizabeth. Ela dava preferência para meninas pobres e cuidava de suas necessidades materiais e físicas, além do ensino acadêmico tradicional.
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Estas meninas eram conhecidas como “Les Isadorables”, algo como “As Isadoráveis”, que demonstra o carinho que ela tinha pelas crianças. Desde o início da carreira, Isadora sempre pensou investir seus ganhos na educação de jovens, aperfeiçoando novos talentos.
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Sua vida foi fascinante: teve um efervescente círculo de amigos, que incluía Auguste Rodin e Jean Cocteau, e uma intensa vida amorosa. Viveu maritalmente com o cenógrafo inglês Gordon Graig e com o milionário parisiente Eugene Singer, dono da fábrica de máquinas de costura. Com cada um deles teve um filho e relacionamentos tórridos.
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Sua postura irreverente perante o casamento provocava escândalos na época. Diz em sua autobiografia:
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“Comecei a observar o rosto das senhoras casadas, amigas de minha mãe, e não houve um em que eu não achasse a marca do monstro de olhos verdes e os estigmas da escravidão. E fiz o voto de jamais me rebaixar a situação tão degradante, ainda que isso viesse me custar, com de fato veio, uma quebra de relações com minha mãe e a incompreensão do mundo”.
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A tragédia atingiu o glamour de sua vida em 1913, quando seus dois filhos, Deirdre e Patrick morreram afogados quando o carro em que estavam caiu no rio Sena. Emocionamente abalada, a bailarina cancelou suas apresentações e se afastou temporariamente dos palcos. No ano seguinte Isadora daria a luz um terceiro filho, um menino, que morreria poucas horas após o parto.
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Durante a I Guerra Mundial, um incidente num aeroporto norte-americano, onde sua companhia realizaria uma apresentação: barradas pelo fato de as bailarinas serem alemães, Isadora resolveu a situação muito serenamente: adotou as seis meninas!
Depois da guerra foi viver em Moscou, com o poeta soviético Serguei Essenin, numa união tempestuosa que durou 2 anos, ao fim dos quais ele se suicidou, enforcando-se com a correia de sua mala.
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Isadora se estabeleceu na França e passou seus últimos anos em Nice. Nesta época já havia abandonado os palcos e sua vida estava em decadência, entregue aos remédios e ao alcoolismo.
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Se sua vida foi espetacular, a sua morte também teve a mesma característica: estava instalada no banco traseiro de seu automóvel conversível, dirigido por seu motorista na Riviera francesa A echarpe que trazia enrolada ao pescoço dançava ao vento... e suas franjas enroscaram-se na roda do veículo. Sua cabeça foi lançada para trás e seu pescoço quebrou-se! Morreu estrangulada.
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Escreveu "A Dança" (1909) e a autobiografia "Minha Vida" (1927). Postumamente foi editado "A Arte da Dança" (1928).
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