Desci. Sentei-me perto, muito perto da avó Agnette. Ficamos a olhar o verde jardim, as gotas a evaporarem, as lesmas a prepararem os corpos para as novas caminhadas. O recomeçar das coisas.
- Não sei onde as lesmas sempre vão, avó.
- Vão para casa, filho.
- Tantas vezes de um lado para outro?
- Uma casa está em muitos lugares - ela respirou devagar, me abraçou – É uma coisa que se encontra.
Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega.
"Somos todos casas vazias esperando por alguém abrir a fechadura e nos libertar. Um dia, meu desejo se realizará. Alguém chega como um fantasma e me tira de meu confinamento. E eu sigo, sem dúvidas, sem reservas, até eu encontrar meu novo destino."