... Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Éramos duas crianças
aprendendo a ver imagens
e a ouvir sons.
Escandíamos as mais simples sílabas
em malabarismo de linguagem.
Recebíamos com espanto a luz dos raios catódicos do
[fundo da tela de cristal:
puxa o fio da boca com os dedos,
sua risada ressoa redonda, grande de dentes.
Aí, veio o bicho-papão
e tirou nosso ar.
Elisa Andrade Buzzo
foto sem menção dos créditos, disponível em Pinterest.com
Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas,só as de verão.
No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre,
em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.
William Shakespeare
Lua sobre a lagoa de Praia Seca - Araruama (RJ) - foto minha
Escrever e ler são formas de fazer amor. O escritor não escreve com intensões didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta ou são de vida longa e tediosa.
1. O direito de não ler.
2. O direito de pular as páginas.
3. O direito de não terminar de ler o livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito ao “bovarysmo” (doença textualmente transmissível).
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de “colher aqui e acolá”.
9. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de se calar.
Daniel Pennac
Henri de Toulouse-Lautrec - Desire Dehau reading a newspaper in the garden (Desire Dehau lendo jornal no jardim, 1890).