domingo, 17 de março de 2019

Somos todos textos entre outros muitos textos



releituras... todo texto (feito de palavras, ou de imagens) vem entrecortado por outros textos que se interconectam ad infinitum, gerando novos sentidos, novas possibilidades de leituras e interpretações.



Crédito da imagem: fotografia de Paul Jung



Civilidade e cordialidade



Quantas pessoas me acham idiota e quantas outras também acho imbecis, mas por educação não falamos e abrimos sorrisos para disfarçar. A civilidade é um luxo dissimulado. Um manual para boa convivência. Sem ela, estaríamos todos mortos ou com olhos roxos ou dentes quebrados. Deus salve a civilidade contemporânea. É muito ódio camuflado com sorrisos, abraços e apertos de mãos.

Diego Moraes


Crédito da imagem: arte de Dran 


quarta-feira, 13 de março de 2019

Pessoas com profundidade



Odeio conversas curtas. Quero falar sobre átomos, morte, aliens, viagens, sexo, inteligência, o significado da vida, as galáxias distantes, as mentiras que você disse, suas falhas, seus aromas favoritos, sua infância, o que mantém você acordado à noite, suas inseguranças e medos.

Eu gosto de gente com profundidade, que fala com a emoção de uma mente confusa. Não quero saber de: "E aí?"

Caio Momi


Imagem: Pinterest





Cruzou madrugadas em claro, flutuando no sofá da sala, até decidir que ficaria lá para sempre. Quem sabe, um dia, ela se lembraria de que fizera alguém chorar um oceano? 
Por isso, quando as primeiras ondas de luz da primavera molharam o chão, resistiu, agarrando-se às almofadas e, nelas, à pena que sentia de si mesmo. 
O sol não se fez de rogado e, em fúria, o arrancou de casa. Então, na fila da padaria, conheceu Camila. Sorriu para si mesmo. E lembrou das palavras do avô, velho pescador de histórias: O mar tira. Mas o mar devolve.

Leonardo Sakamoto


Imagem: Pinterest



Ser árvore para um passarinho



Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele  passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho, no estágio de ser árvore, aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casa vazia de cigarra esquecida no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara, envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros e tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore porque fez amizade com muitas borboletas.

Manoel de Barros


Imagem da Web




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