A Agência Amnesty Sweeden publicou estes posters contra a circuncisão feminina, esta prática terrível que ainda existe em alguns países da África.
O que é a circuncisão feminina?
.
É uma tradição cultural milenar que extirpa o clitóris e lábios vaginais das mulheres, deixando apenas um espaço para as funções orgânicas. É realizado por certos grupos étnicos e consiste em remover uma parte maior ou menor dos lábios – as dobras macias de pele ao redor da vagina – e o clítoris da mulher ou de uma menina. É cultivada na África, Península Arábica e Zonas da Ásia. A sua prática está cercada de silêncios e é vivida em segredo. Manifestar-se contra esse costume é difícil e, às vezes, perigoso para mulheres ou homens que se opõem. Em muitos casos, são acusados de ser contra as tradições ancestrais - dos valores familiares, tribais, e mesmo de rejeitar seu próprio povo e sua identidade cultural.
Não há uma idade certa para a cirurgia, pode variar de recém-nascidas, pré- adolescentes ou mulheres adultas. É importante considerar que sem essa cirurgia a mulher é considerada inapta para casar, segundo as tradições.
Essa tradição cultural elimina o prazer sexual das mulheres e traz sérios riscos a sua saúde: dores fortes, cólicas cíclicas lacerantes, gravidez e partos com alto índice de morte, entre outros.
.
Há quatro tipos de circuncisão feminina:
Primeiro grau – remoção da parte superior do clítoris – isto é semelhante à circuncisão masculina.
Segundo grau – remoção completa do clítoris e de parte dos pequenos lábios.
Terceiro grau – remoção completa do clítoris e dos pequenos e grandes lábios.
.
Quarto grau ou infibulação – isto consiste em suturar os dois lados da vulva após a remoção do clítoris e dos pequenos e grandes lábios. É deixado um orifício pequeno para a menstruação.
A partir do segundo grau, estamos falando em mutilação.
A idade da circuncisão varia de acordo com o grupo étnico. Pode ser desde os sete dias de idade até quando se dá à luz pela primeira vez. Geralmente são as mulheres mais velhas que se encarregam deste ritual. Usam objetos afiados como facas, lâminas de barbear ou certas plantas.
.
.
As razões para a circuncisão
Muitas razões são dadas. No entanto, o objetivo principal é manter a mulher em submissão ao homem. A circuncisão impede a mulher de desfrutar do sexo na sua totalidade e sendo assim, as mulheres têm uma vida sexual de completa resignação. São mais dóceis porque sentem menos prazer.
No caso da infibulação, é para garantir a fidelidade da mulher. Na verdade, cada vez que o marido sai em viagem ele realiza a infibulação e no seu retorno ele ‘rasga’ os pontos.
As complicações
Imediatas…
1) sangramento grave, às vezes resultando em morte;
2) ferimentos causados a órgãos vizinhos como a uretra e reto;
3) infecção devido à falta de higiene, sendo a mais séria o tétano.
.
Posteriores…
1) dores severas durante as relações sexuais;
2) problemas sexuais e emocionais, pois a mulher não sente desejo nem prazer;
3) infecções vaginais repetidas;
4) fístulas;
5) riscos durante o parto.
.
Milhões de pessoas bem intencionadas são desinformadas, o que as levam a crer que essa prática é benéfica. Para a cultura ocidental uma forma de mudar esta mentalidade é educar as mulheres mais velhas que perpetuam esse costume, bem como os homens, mostrando os danos físicos e psicológicos.A educação e o diálogo são as únicas armas capazes de enfrentar e transformar a realidade dessas mulheres. Normalmente, é o pai que paga para a realização da "cirurgia", para que possa casar suas filhas com homens que não aceitam mulheres incircuncisas.
.
É mesmo inacreditável... como pode ainda existir algo deste tipo, no mundo de hoje...? Os assuntos que envolvem aspectos culturais são sempre muito polêmicos e controversos, e frequentemente um terreno perigoso para opiniões e posicionamentos; portanto, o objetivo deste post não é apenas provocar a indignação... é também uma forma de demonstrar solidariedade.
.
.