sábado, 21 de outubro de 2017



"Assusta-me toda essa gente, que se obriga a estar sempre alegre; que demoniza a tristeza; até a tristeza tem suas cores; os poemas que melhor preencheram minha alma, nasceram das lágrimas do poeta.”

Luiz Gustavo Retzlaff




Crédito da imagem: arte de Marcio Alek





quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Buquê de margaridas


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Primeiro, foram os nomes dos netos. Depois, a literatura que amava. E ela foi se despindo na frente de todos. Foi estranho, mas o Alzheimer lhe concedeu o direito a uma só lembrança. O que é forte o suficiente para vencer o vazio? Para ela, o primeiro encontro com o homem de sua vida. Passava as tardes na janela, esperando. "Ele vem", dizia a todos... Então o marido, companheiro de décadas, passou a lhe trazer margaridas para cortejá-la. Até que, numa noite, ela disse, colocando as mãos em seus ombros: “Não precisa mais. Já me conquistou”. E dormiu um sono longo. 

Vovô ainda leva flores, todos os dias.


Leonardo Sakamoto


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Devolver-nos




Se Deus nos fez livres, o amor de quem nos encontrar pela vida não pode ser contraditório ao amor que nos originou. O outro que acabou de chegar não tem o direito de se tornar obstáculo para Aquele que nos sustenta em nossa condição primeira. Se quiser nos amar, se quiser fazer parte de nossa vida, terá de ter diante dos olhos o que somos, o que ainda podemos ser, e não o que gostaria que fossemos. O amor só acontece quando deixamos de imaginar. Só a realidade autentica o amor, atesta sua verdade.

Estamos em processo de feitura, e Deus nos devolve a nós mesmos o tempo todo.

É o amor humano de Deus, manifestado em minha vida pela força de pessoas concretas, cheias de voz e de gestos. Essas são as pessoas que nos ajudam a conquistar o que não sabíamos possuir... O olhar de quem nos ama é um olhar que nos devolve, abre portas.

Uma coisa é certa: quanto maior é o bem que nos provocam, maior é o desejo que temos de ficar por perto. O desejo sobrevive assim. O outro nos apresenta um jeito novo de interpretar o que somos, e por essa nova visão nos apaixonamos. O que nos encanta no outro é o que ele nos conseguiu fazer enxergar de nós mesmos. Egoísmo? Não. Apenas o primeiro pilar do conceito de pessoa alcançando uma profundidade ainda maior dentro de nós.

VIR A SER
Eu procuro por mim.
Eu procuro por tudo o que é meu
e que em mim se esconde.
Eu procuro por um saber
que ainda não sei,
mas que de alguma forma já sabe em mim.
Eu sou assim.
Processo constante de vir a ser.
O que sou e ainda serei
são verbos que se conjugam
sob áurea de um mistério fascinante.
Eu me recebo de Deus e
a Ele me devolvo.


Padre Fábio de Melo
em “Quem me roubou de mim”, trechos p. 140. 141 e 142

Crédito da Imagem: fotografia de David Talley






Queria que estivesses aqui,
no meio disto tudo o que eu queria era que estivesses aqui.
O teu olhar, as tuas mãos a apertarem-me o medo, a dissolverem-me a ansiedade.
Mãos que apertam o medo, que dissolvem a ansiedade: aqui está uma boa definição de amor.


Pedro Chagas Freitas




quinta-feira, 27 de julho de 2017

Arte de Joran Roukes


"...Só a Arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes — tudo isso passa. 
Só a arte fica, por isso só a arte vê-se, porque dura..."

Fernando Pessoa em Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias

...............

Arte é o que te toca, o que te emociona, o que te constrange, o que te desafia...
As pinturas a óleo do holandês Joran Roukes provoca tudo isso. Caos, excessos e hibridismos num simbolismo pop, para nossa apreciação:





 


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