sexta-feira, 10 de novembro de 2017

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Nos achamos e nos perdemos



Que nome te dar?
Não há outro como tu.
Somos cada um um pouco do outro.
Tu és a outra metade de mim.
A parte de ti que de mim ficou.
A parte de mim que foi contigo.
Ninguém me está tão próximo
e ninguém me escapa tanto.
Como pode ser que constantemente nos encontrávamos
e sempre nos perdíamos?


Livre adaptação de um treco de Manuel Alegre, em “A terceira rosa”


Nem tanta lucidez



Precisamos urgentemente de nos enganar com o que quer que seja, 
de fugir à brutal realidade das coisas, de entrar em zonas que nos poupem da lucidez. 
Adoecemos rapidamente se não formos entretidos.


Pedro Paixão 
Amor Portátil


O lar é onde está




Desci. Sentei-me perto, muito perto da avó Agnette. Ficamos a olhar o verde jardim, as gotas a evaporarem, as lesmas a prepararem os corpos para as novas caminhadas. O recomeçar das coisas.

- Não sei onde as lesmas sempre vão, avó.
- Vão para casa, filho.
- Tantas vezes de um lado para outro?
- Uma casa está em muitos lugares - ela respirou devagar, me abraçou – É uma coisa que se encontra.


Ondjaki
Em 'Os da minha rua'

Surpresa que nos espera




Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner


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