domingo, 13 de setembro de 2020

Mona... quem?



Este é Monaliso, primo da Monalisa, é do lado abastado da família, filho do Barão Von Fuckenheimer. Veio para o Brasil participar de uma ONG em defesa da Amazônia. Perambulou por várias Universidades, onde seu apelido era "Bobo da Corte". Com bolsa de estudos  cursou  Direito e depois de 15 anos sem se formar, voltou à Europa. Seu sonho agora é ser mordomo, no apartamento do ex Presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso em Paris.
 
 
Fonte: Revista Fakenews
 
 
 

A rua estreita

Na minha cidade há uma rua íngreme e triste onde não passa quase ninguém. É uma rua estreita sem lojas ou cafés, com os passeios desfeitos e velhas casas de traça antiga que o tempo foi esboroando com lentidão, encostadas umas às outras como presas acossadas à espera do abate. É a rua mais feia que conheço e desde miúda que a atravesso porque ela rasga o ventre da cidade e vai ter ao centro, onde pulsa cheio de vida o comércio local. Sempre gostei dessa rua feia e triste, como se fosse uma nota dissonante no bulício da cidade, onde se ouvem os nossos próprios passos e a solidão se faz sentir pesada como uma pedra. É nessa rua que vive a D. Julinha. Hoje lá estava, como sempre, debruçada na janela do seu quarto que se abre sobre a rua, mendigando sorrisos e palavras aos passantes. Toda a gente a conhece mas ela não conhece ninguém, prisioneira de uma demência que a faz regredir à primeira infância. O tempo corre como um rio e ela lá está, sempre no mesmo sítio, embrulhada na mesma estranha alegria, presa na mesma esmagadora solidão que sempre lhe conheci. Há anos que fica sozinha em casa enquanto a família sai para trabalhar e quando começou a piorar, decidiram fechá-la à chave para não fugir e se perder na cidade. E depois, quando um dia resolveu cozinhar e acendeu todas as bocas do fogão e abriu todas as torneiras para lavar a louça que não tinha usado, a família, para evitar acidentes, decidiu deixá-la fechada à chave no quarto, limitando-a à janela onde se debruça, talvez para respirar... Quando entrei na rua, de imediato vi o seu vulto familiar e ouvi os risos que sempre ouço... Na janela de sempre, a D. Julinha ria feliz, enrolada nos cortinados brancos, e só sobressaíam os seus olhos de um azul surpreendente, enevoados pelas cataratas... São olhos de criança, puros e serenos, inocentes e prisioneiros do seu mundo... E foi então que ela me contou, feliz, que estava noiva e ia casar hoje. Abraçada ao imaginário véu branco que só lhe deixava o rosto a descoberto, dançava presa na sua loucura, no seu sonho, pendurada na janela triste daquela rua feia. Pediu-me rebuçados, atirou-me beijos e ficou a cantar uma estranha *melopeia que dentro de si talvez fizesse tanto sentido como a marcha nupcial que só a sua mente ouvia... E quando descia a rua, algo se rasgava em mim, uma dor qualquer, ou talvez fosse uma revolta muda, enquanto as gargalhadas felizes da D. Julinha abafavam o som dos meus passos e tornavam mais triste e mais feia, mais pesadamente solitária e esmagadora, a rua mais estreita da minha cidade.

Ana Mateus


*melopeia
substantivo feminino

    1.
    música
    a parte musical, melódica de um recitativo ('gênero de canto declamatório').
        por extensão•música
        melodia que acompanha qualquer recitação.
    2.
    toada, cantiga de melodia simples e monótona, ger. melancólica; cantilena.



Crédito da imagem: "Senhora na Janela", fotografia de Mateus Requião Ferrari



A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo

 

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinicius de Moraes




Imagem via Pinterest




Ah! Europa sua linda ...



Europa sua linda, inocente, desinteressada e bondosa!
Você dividiu povos e nações, criou fronteiras artificiais que colocaram povos amigos em guerras.
Escravizou milhões de africanos, dizimou milhões de indígenas, assassinou milhões de judeus, ciganos e gays. Viveu os dois últimos milênios em guerras, produzindo inclusive duas guerras mundiais.
De quebra, nos brindou com o comunismo, o nazismo e o fascismo .
A super civilizada Europa que matou, estuprou, explorou e roubou ouro, café, açúcar, madeira, minerais e vida, agora anda preocupada.
Devastou continentes e civilizações inteiras,
Extinguiu milhares de espécies animais.
Agora essa mesma Europa que transformou suas florestas em carvão, essa tão boazinha e inocente Europa agora está preocupada com a Amazônia e quer dar sermão no país que mais protegeu as suas florestas no mundo.
Ah! Europa! Sua colonialista genocida, linda!
A Amazônia é nossa e não está à venda!!

Roberto Kaufman

 

Crédito da imagem:  © WWF-Brasil/Juvenal Pereira



 

sábado, 5 de setembro de 2020

A minha casa é a literatura

 


(Deitada de lado, escuto o barulho da lágrima a cair na palma da minha mão.)

A minha casa é a literatura. E se arrebentarem portas e janelas, me visto de branco para me confundir com a pintura das paredes.

E se chuva houver e estragar a pintura, também eu ficarei estragada. Mas ainda não deixarei de ser literatura.

O limite da dor não é o limite do texto, nem está nos limites da casa.

A minha casa é a literatura. E se arrebentarem portas e janelas, me visto de branco. Para me confundir com a leitura e as paredes.

Camila do Valle



 

Crédito da imagem; muros de poesia,  na cidade de Leiden na Holanda





Como fazer "Pão de Açúcar" - Zero calorias


Ingredientes
  • Um abacate grande
  • um pedaço de arame com 15 cm.

Como fazer

Corte o abacate ao meio, descarte o caroço e a polpa, junte os dois com o arame.


Sugestão de Fernando Santos Netto e realização de Mauricio Wagner.
 
 
 
 

Mona... quem?

 

Esta é a Corona Lisa. Atrevida, bebe uma cerveja Corona através de sua máscara facial perfurada. Ela sempre apreciou uma geladinha... Em tempos de pandemia, há que se ter cuidado... Evitar as aglomerações dos bares, e nas festinhas particulares estar sempre protegida com álcool em gel, desinfetante para as mãos, luvas de borracha,  e máscara. E não se esqueça do chazinho de limão antes de sair de casa e depois quando voltar.


Crédito da imagem: o artista brincalhão, que mexe com as obras de arte há quase uma década é Hayati Evren.






segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Distância

 

 
Acontece com a distância o mesmo que acontece com o futuro: um todo imenso, e como que envolvido por uma neblina, estende-se diante de nossa alma: nosso coração ali mergulha e se perde.

Goethe, in Os Sofrimentos do pobre Werther
 
 
 
Desconheço a autoria da imagem 




quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Delicadeza


 
Delicadeza não se ensina, é diferente do respeito. Delicadeza é temperamento, não se obtém com a idade, não é uma promoção da sensibilidade, não vem com a educação ou com a imitação dos pais . Delicadeza é um defeito maravilhoso, uma entrega irreversível . É uma loucura do bem, uma paranoia sadia. Oferecer mais do que foi pedido, oferecer-se à toa. Sucumbo diante da delicadeza: a delicadeza é gentileza refinada.

Fabrício Carpinejar
 
 
 
Imagem via  Pinterest
 
 
 






Todo amor já nasce existido

 

Posso dizer que me apaixonei.
Orora. Dona Orora. Fala tudo errado.
Mas  se falar assim inventado, aí que eu gamo mesmo, invoco, pego amor todo prosa.
Já posso me casar, se Orora for mesmo viúva, não sei não perguntei. Usa um lenço na cabeça, eu a vi com um balaio cheio de lenha. Lá na Grota Aflita dos Cabritos. Estou no ponto de amar, faz tempo que não sinto o tremelicor do peito. Andava desamado, malquerido.
Foi num jaspe de sol: Orora luzidia: arrebitei os teréns.
Orora, Orora. Ate onde é que tu me enlevas, me levas, me suspende? Eu vou! Todo amor já nasce existido. A gente que se arremela não ver... Acontece que um peixe veio vindo, nadando no contradestino. senti as escamas de musgos. Estou colhendo ramalhetes pro nosso primeiro encontro. Beijos de Pigmalião.

José Antonio Abreu de Oliveira


Crédito da imagem: Mulheres carregam pesos na cabeça: Red Basanti, da Índia, e seu bloco de feno (Foto: Floriane de Lassée)




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