terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Interlúdio com Florbela

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Uma Festa para Florbela Espanca
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Uma pequena homenagem para essa grande poetisa, por ocasião de mais um ano de seu nascimento. No dia 8 de dezembro comemora-se mais um ano do nascimento de Florbela Espanca, ícone da poesia em língua portuguesa.
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Seus versos expressam um erotismo e uma liberdade pioneiros na poesia do seu país. Excelente sonetista, Florbela expressa suas emoções em linguagem telúrica, de imagens fortes, impregnadas de verdade física e arrebatamento. Sua poesia caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito.
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A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico.
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Desde cedo gostava de ler, e sempre tive gosto por poesias. E por minha avó fui "apresentada" a FLORBELA ESPANCA, num livro com alguns sonetos seus. Eram apenas alguns sonetos, mas eram muito belos, iam além de tudo o que eu conhecia, diferente da poesia comum. E daí, por querer mais e mais, procurei conhecer mais de minha Florbela, minha poetisa favorita e definitiva. Ela conseguira, com cada palavra, verso e estrofe, criar um mundo de vibrações poéticas. Mas não era fácil encontrar Florbela... não conseguia encontrar sequer um livro seu... , e tinha que me contentar com as "pedacinhos" em forma de poemas que encontrava aqui e ali.
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Mas aí, finalmente, com o advento da Internet, tive acesso a le-books, tais como "Livro de Mágoas", "Livro de Soror Saudade", "Charneca em Flor" e "Reliquiæ".
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E é claro que desde então, não consigo mais me separar dela, da minha Florbela, lendo e relendo sua poesia sempre que posso, me deliciando e me apaixonando cada vez mais pela beleza, pelos sonhos, pela esperança, pelo amor, pela dor, pela insatisfação com a vida que nos deixou de herança em toda a sua obra.
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Era uma mulher jovem, que viveu no início do século em Portugal. Tão cedo (aos 36 anos de idade) abandonou a vida. Mas essa vida tão fugaz e ao mesmo tempo tão frutífera, fez dela tão importante poetisa, tão grande representante da poesia em língua portuguesa, não só em Portugal, mas também aqui no Brasil.
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E é a ela, essa Florbela, que tento hoje homenagear, humildemente, pois tudo que é de grandioso ela já criou, mas somente para que ela receba o seu justo e merecido reconhecimento.
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Apresento aqui, em meu Blog uma sincera e humilde homenagem, irmanando portugueses e brasileiros, escolhendo essa FLORBELA, sempre viva, eterna no jardim de nossa sensibilidade, de nossa poesia: Bela Flor Bela... marco inquestionável da beleza, de sentimentos exacerbados, de emoções.
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Ela, que me faz passar pelas mais extremas sensações, que me remete da alegria à mais profunda tristeza, do prazer à dor, da sanidade à loucura... e assim aprendi a amá-la e a respeitá-la, não apenas como minha poetisa definitiva, mas acima de tudo como ser humano, com suas fraquezas, erros e acertos, enganos e desenganos, como aquela que tão cedo abandonou a vida, porque não pertencia ao seu tempo, ao mundo pequeno em que vivia... ela estava além... do tempo, da vida, do mundo, além de todas as fronteiras, profundamente mergulhada em seu infinito sonho de seus anseios mais ocultos.
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"A obra de Florbela é a expressão poética de um caso humano. Decerto para infelicidade da sua vida terrena, mas glória de seu nome e glória da poesia portuguesa, Florbela viveu a fundo esses estados quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão em tudo, que na sua poesia atinge tão vibrante expressão. Mulheres com talento vocabular e métrico para talharem um soneto como quem talha um vestido; ou bordarem imagens como quem borda missanga; ou (o que é ainda menos agradável) se dilatarem em ondas de verbalismo como quem se espreguiça por nada ter o que fazer, que dizer - naturalmente as houve, e há, antes e depois da vida de Florbela. (...) Também, decerto, apareceram na nossa poesia autênticas poetisas, antes e depois de Florbela. Nenhuma, porém, até hoje, viveu tão a sério um caso tão excepcional e, ao mesmo tempo, tão significativamente humano. Jorge de Sena dirá: tão expressivamente feminino."
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José Régio(in "Sonetos" de Florbela Espanca,
Livraria Bertrand, Portugal, 19ª. ed. completa, 1981)
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"Bíblia de iniciação amorosa, dicionário das vicissitudes da mulher, livro-de-horas da dor - assim é a poesia de Florbela Espanca. Dela emana um feitio insurrecto que tem escandalizado e encantado, desde 1930, seus leitores, quando, apenas depois de morta, a poetisa se torna (afinal) conhecida. (...)A interlocução com o universo masculino e o exercício permanente do amor imprimem a tal obra uma continuada verrumagem acerca da condição feminina, que vasculha os ritos sociais, os jogos de sedução, os interditos, os privilégios - a maldição. Nessa rota, assenhorando-se do estatuto tradicional da mulher para pô-lo em causa, Florbela acaba retirando dele um corolário que o torna ativo, visto que redimensionado em bem literário.E eis que o infortúnio, tomado na acepção de prerrogativa feminina, se converte, por seu turno, numa estética em que a dor é a matéria-prima, capaz de criar, apurar e transfigurar o mundo - única e verdadeira senda de conhecimento reservada à mulher.(...) Florbela consegue, através dos seus poemas, o prodígio de transmutar a histórica inatividade social da mulher em... genuína força produtiva! E esse (a bem dizer) é apenas um dos seus muitos dons."
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Maria Lúcia Dal Farra(in "Poemas de Florbela Espanca",
Livraria Martins Fontes Editora Ltda.,
São Paulo, Brasil, 1ª. ed, 2ª. tiragem, outubro/97)
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Fazendo parte da Blogagem Coletiva INTERLÚDIO COM FLORBELA, do blog Interlúdio.

2 comentários:

Gaspar de Jesus disse...

Olá FLOR
Tal como lhe respondi à pouquinho, a FlOR pode dispôr de tudo aquilo que achar que merece ser postado neste seu Belissimo Espaço de Afectos.
Gosto muito do que encontro por aqui!
Vê-se bem que a FLOR respira Cultura por todos os poros.
Bjs
G.J.

Dalva disse...

Boa noite, Gaspar. Obrigada por disponibilizar o material do teu Blog... Vou publicá-lo tão logo minha conexão se normalize... atualmente está meio tartaruguenta... de dar dó!

Beijos e um ótimo dia!

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