segunda-feira, 8 de março de 2010

Feminino Plural - Isadora Duncan

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Quem foi Isadora Duncan?
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Este era o nome artístico de Dora Angela Duncan, nascida em 26 de maio de 1877, em São Francisco. Ela era a segunda dos quatro filhos de um poeta e de uma pianista. Desde criança esteve rodeada pela arte e sua infância foi muito diferente dos padrões da época. Além de receber a educação formal, a mãe fazia questão de dar aos filhos, desde cedo, aulas particulares de literatura, poesia, música e artes plástica.
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Desde os quatro anos de idade começou a frequentar aulas de balé clássico, e já na adolescência fazia apresentações ao som do piano de sua mãe.
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A dança era a sua vida, e desde cedo seu temperamento transgressor e personalidade libertária fizeram com que abandonasse as normas e padrões da época. Não gostava de ser chamada de dançarina. A dança para ela era uma "expressão da alma".
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Rompendo com o balé clássico e as sapatilhas de ponta, foi a precursora da dança moderna.
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Aos 11 anos Isadora já desenvolvia uma maneira própria de dançar, e prodígio que era começou a dar aulas de sua nova técnica.
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Apresentava-se livremente descalça, com trajes esvoaçantes e cabelos soltos..., inspirada nas danças rituais da Grécia Antiga, o que causou escândalo entre a conservadora mentalidade da época. Suas apresentações em espetáculos solo eram baseadas em improvisações, dando ênfase aos gestos corporais assimétricos. Seus movimentos eram inspirados nos fenômenos na natureza, como o fluir das ondas do mar, do vento, e força das tempestades.
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Isadora inovou também com o repertório musical. Incorporou aos seus trabalhos peças de Chopin e Wagner, que na época eram executadas somente em recitais, ou seja, música para ser apenas "ouvida"...
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“Tive três grandes mestres, os três grandes precursores da dança no nosso século: Beethoven, Nietzsche e Wagner”
... dizia ela, que gostava de citar o filósofo Friedrich Nietzsche entre os compositores alemães.

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E não parou por aí: a estética do palco para Isadora também foi um meio de revolução: utilizava apenas uma cortina azul como cenário, visando valorizar apenas a expressividade do dançarino sem o uso de subterfúgios considerados por ela como artificiais e vazios.
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"A beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo que é seu símbolo..."
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Isadora percorreu o mundo com a sua arte. Abriu escolas de dança em Berlim, Paris e em Moscou. Em 1904 fundou sua primeira escola de dança, em Grunewald, na Alemanha, dirigida por sua irmã Elizabeth. Ela dava preferência para meninas pobres e cuidava de suas necessidades materiais e físicas, além do ensino acadêmico tradicional.
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Estas meninas eram conhecidas como “Les Isadorables”, algo como “As Isadoráveis”, que demonstra o carinho que ela tinha pelas crianças. Desde o início da carreira, Isadora sempre pensou investir seus ganhos na educação de jovens, aperfeiçoando novos talentos.
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Sua vida foi fascinante: teve um efervescente círculo de amigos, que incluía Auguste Rodin e Jean Cocteau, e uma intensa vida amorosa. Viveu maritalmente com o cenógrafo inglês Gordon Graig e com o milionário parisiente Eugene Singer, dono da fábrica de máquinas de costura. Com cada um deles teve um filho e relacionamentos tórridos.
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Sua postura irreverente perante o casamento provocava escândalos na época. Diz em sua autobiografia:
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“Comecei a observar o rosto das senhoras casadas, amigas de minha mãe, e não houve um em que eu não achasse a marca do monstro de olhos verdes e os estigmas da escravidão. E fiz o voto de jamais me rebaixar a situação tão degradante, ainda que isso viesse me custar, com de fato veio, uma quebra de relações com minha mãe e a incompreensão do mundo”.
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A tragédia atingiu o glamour de sua vida em 1913, quando seus dois filhos, Deirdre e Patrick morreram afogados quando o carro em que estavam caiu no rio Sena. Emocionamente abalada, a bailarina cancelou suas apresentações e se afastou temporariamente dos palcos. No ano seguinte Isadora daria a luz um terceiro filho, um menino, que morreria poucas horas após o parto.
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Durante a I Guerra Mundial, um incidente num aeroporto norte-americano, onde sua companhia realizaria uma apresentação: barradas pelo fato de as bailarinas serem alemães, Isadora resolveu a situação muito serenamente: adotou as seis meninas!

Depois da guerra foi viver em Moscou, com o poeta soviético Serguei Essenin, numa união tempestuosa que durou 2 anos, ao fim dos quais ele se suicidou, enforcando-se com a correia de sua mala.
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Isadora se estabeleceu na França e passou seus últimos anos em Nice. Nesta época já havia abandonado os palcos e sua vida estava em decadência, entregue aos remédios e ao alcoolismo.
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Se sua vida foi espetacular, a sua morte também teve a mesma característica: estava instalada no banco traseiro de seu automóvel conversível, dirigido por seu motorista na Riviera francesa A echarpe que trazia enrolada ao pescoço dançava ao vento... e suas franjas enroscaram-se na roda do veículo. Sua cabeça foi lançada para trás e seu pescoço quebrou-se! Morreu estrangulada.
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Escreveu "A Dança" (1909) e a autobiografia "Minha Vida" (1927). Postumamente foi editado "A Arte da Dança" (1928).
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Em homenagem à bailarina, foi criada em 1979, a Isadora Duncan Dance Foundation, em Nova Iorque. Os arquivos pessoais de Isadora Duncan estão atualmente no Lincoln Center, também em Nova Iorque.
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No dia de hoje o Infinito Particular parabeniza a todas as mulheres pela sua capacidade de viver mil vidas em uma e lutar por causas muitas vezes perdidas. E que ao sair-se vencedora desconhece a palavra “recompensa”... Aquelas que caminham cheias de certeza por um caminho de dúvidas, e que são capazes de chorar de alegria e sorrir nos momentos de tristeza. Que persistem acreditando quando todos desistem... capazes de abrir mão de seus sonhos em favor de terceiros... e que são tão fortes, mas se fazem frágeis só prá ganhar um carinho...

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10 comentários:

Beta disse...

Nossa que história interessante!!!

Adorei!

Bj

A Madrasta Má disse...

Olá minha super querida, desejo um excelente dia, muita sorte e realizações de seus ideais, não só no dia 08 de março, mas por toda a sua vida!
Bjinhos da Madrasta!

Jr Vilanova disse...

Minha querida amiga Dalva!

Cheguei aqui hoje única e exclusivamente para lhe dizer: PARABÉNS PELO SEU DIA!

Parabanizo você pela sensibilidade, inteligência, simpatia, delicadeza! Aqui na blogosfera (principalmente), poucas vezes consegui senti uma energia tão gostosa e receptiva... e quando isso acontece, me sinto um sortudo!

Obrigado, parabéns por tudo também!
FELIZ DIA DA MULHER!
Beijos,
Jr.
Ps: volto para ler mais um capítulo do 'Feminino Plural', mais uma aula!

Patty disse...

QUE DELÍCIA SER APRESENTADA A UMA MULHER COMO ESSA, QUE BARRA A DELA PERDER OS FILHOS AFOGADOS E AINDA A OUTRA QUE NASCE MORRE LOGO APÓS O PARTO, JESUS, QUE FORÇA A DELA DE CONTINUAR A LUTAR, A VIVER!
É NADA MAIS CERTO DO QUE HOMENAGIA LA NESSE NOSSO DIA.

OBRIGADA POR ISSO!

BJBJBJ!, MEL, MEL,MEL!



AHHHHHHHH, SE TIVER UM TEMPINHO VENHA CONHER MEU NOVO BLOG, PROEZAS DO COTIDIANDO, LÁ TAMBÉM FAÇO UMA HOMENAGEM PARA NÓS MULHERES!

lis disse...

Oi Dalva
Vida essa espetacular mesmo ! mulher linda, talentosa e acima do seu tempo,sofreu mas nao se resignou, venceu barreiras e nao merecia morte tão trágica.
Obrigada e palmas pra nós todas que cada uma da sua maneira luta pela felicidade da famíla, pela igualdade no trabalho e como voce diz a fragilidade está apenas nos sentidos apurados , na imensa beleza da maternidade, nesse amor irrestrito aos filhos e na mania de querer sempre ouvir palavrinhas doces de quem ama. rsrs Ah as mulheres!! que sejam todas abençoadas.
bejinhos , deixei também uns elogios pra todas no meu post de hoje., rsrs

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Dalvinha, posso dizer, posso?

Você é pura arte!

Beijo imenso, menina linda e maravilhosa noite da mulher.

=]

Rebeca

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DILERMArtins disse...

Mas bah, guria.
Parabéns por hoje.
Parabéns pela postagem, como sempre de valor histórico, abordando o universo feminino.

Silvana Nunes .'. disse...

Boa noite.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... passando para dar os parabéns pelo dia de hoje.
Saudações Florestais !

Chica disse...

Linda historia,interessante postagem!beijos,tudo de bom,chica

Lilá(s) disse...

Isadora é uma figura que sempre apreciei, conhecia parte da sua história mas adorei ler este texto tão completo! obrigada amiga por tanto que aqui aprendo.
Bjs

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