segunda-feira, 12 de abril de 2010

A gente não quer só comida

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Essa frase da música do grupo Titãs é perfeita para nomear o post de hoje, que abre espaço para uma iniciativa cultural na cidade de Brasília, na entrequadra 312/13 da Asa Norte.
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É o Açougue Cultural T-Bone.

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Se você mora por lá ou pretende passar pela cidade, não pode deixar de visitar este espaço que proporciona alimento para o corpo e para a alma.
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Todos nós trazemos desde a infância a frase de Monteiro Lobato que diz que "um país se faz com homens e livros". E como muitas vezes a oportunidade passa longe dos brasileiros, vale louvar iniciativas como esta: o dono da idéia é o açougueiro Luiz Amorim.
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Desde pequeno trabalhou como vigia e engraxate, e aos 12 anos foi contratado para trabalhar num pequeno açougue na Asa Norte. Morou nos fundos da loja durante 15 anos, e só foi alfabetizado aos 16 anos. O primeiro livro que leu foi um gibi de filosofia, quando tinha 18 anos. Desde então, para passar o tempo, lia muito, e a paixão pela leitura tornou-se quase que obsessiva. Fechava o açougue, e mergulhava na leitura... Teve época que chega a ler uma média de 10 a 15 livros por mês! Luiz decidiu que um dia iria ajudar a despertar o gosto pela leitura nas pessoas.
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No ano de 1994 comprou a loja e decidiu inovar: colocou 10 livros em uma pequena estante, criando assim o Açougue Cultural T-Bone.
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Mas não faltaram as pedras em seu caminho. Ouviu muitos comentários irônicos das pessoas que zombavam do seu "Açougue Cultural", além de ter o estabelecimento fechado pela Vigilância Sanitária, que alegava que os livros não condiziam com o espaço. A briga foi feia, mas Luiz saiu vitorioso.
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A idéia aos poucos foi ganhando adeptos, e a clientela começou a achar o projeto bem interessante. A pequena estante foi substituída por uma maior, e vários amigos e frequentadores do açougue doaram vários exemplares, e seu acervo chegou a mais de 10 mil livros.
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E Luiz não parou por aí, não. Apaixonado por seu projeto, decidiu expandi-lo. Ele também é responsável por colocar os livros nas paradas de ônibus, visando assim levar a literatura para as pessoas mais simples, usuárias do transporte público, como ele mesmo. E hoje, 36 pontos de ônibus da capital federal receberam uma estante repleta de livros para quem quiser se aventurar na viagem da leitura... É a "Parada Cultural", uma biblioteca que funciona 24 hs. A idéia é proporcionar boa leitura enquanto espera o ônibus... e o melhor de tudo: nunca um exemplar foi roubado!
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Tanto no Açougue quanto na Parada, você pode retirar os livros sem a menor burocracia... eles estão disponíveis para quem quiser: é só passar e pegar. A unica regra é que você tem que devolvê-lo do jeitinho que pegou, na base da confiança. Venhamos e convenhamos que isso é um grande incentivo à prática da cidadania! O acervo vai desde as enciclopédias até aos clássicos da literatura, e é mantido por doações de instituições e do público em geral.
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Em 1998 o Açougue Cultural deu mais um fruto: a "Noite Cultural T-Bone": um evento dentro do açougue, contando com a presença de aproximadamente 30 pessoas. Desde então já passaram mais de 150 mil pessoas e mais de 500 artistas para participar desta celebração à arte que integra pessoas de todas as classes sociais e de todas as idades.
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Grandes nomes como Moraes Moreira, Chico César, Guilherme Arantes, Tom Zé, João Donato, Affonso Romano de Sant’Anna, Flávio Venturine, Geraldo Azevedo, Jorge Mautner, Geraldo Azevedo, Belchior, Erasmo Carlos e outros já integraram o projeto. As Noites Culturais já são um marco no calendário cultural da cidade e são realizadas duas vezes por ano, em maio e setembro.
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Impossível não apoiar, divulgar e ajudar um projeto deste porte!
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E a julgar pela excelência do espaço, a carne por lá deve ser de primeira!
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11 comentários:

Beta disse...

Nossa que interessante!

Querida, temos sorteio literário no Mix, te espero ok??

bj

Juliana Lira disse...

Juro que fiquei encantada! O mundo deveria ter mais almas como essa, ele pegou o que a vida lhe deu de melhor e quis devolver ao mundo.
Nossa!Perfeito Dalva...Queria apender com ele a ser uma cidadã melhor!

Há ainda muito o que se fazer e idéias aparentemente simples como ujma estante de livros num canto, pode tomar proporções enormes como essa!

Parabéns a vc também por sempre divulgar a arte e a cidadania.Queria mais posts como esse!

Milhões de beijos

Tucha disse...

Pois é, nosso povo tem "fome" de cultura, diversão e arte. Iniciativas com esta ocorrem em diversos lugares, frutos de "amantes" dos livros que querem compartilhar seu amor.

Wilson disse...

Olá, amiga passando pra desejar uma ótima semana.

Tudo de bom !

Beijo carinhoso no coração!

Louise Oliveira disse...

Muito interessante essa história, achei o máximo.
Adoro o seu blog.
Tem selinho p vc no meu blog, tá?
Bjs! Lu

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Dalva,

Uma história como essa foi lindamente divulgada aqui no seu blog. O brasileiro anda com fome de livro, de mais saber, sinto isso no cotidiano. Bacana demais essa iniciativa.

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca

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DILERMArtins disse...

Mas bah, guria.
O Luiz nos prova que os limites para fazer, amar, viver...Estão na cabeça de cada um, quando queremos, não existe limites!
Paabéns ao Luiz pela obra e à você por divulgar.
Abração.

Georgia disse...

Dalva, tô aqui de queixo caido com essa iniciativa e quando penso que tenho livros que já estao viajando há 30 anos, penso que os amantes de leitura como nós nao podemoa parar.

Parabéns pelo post.

Boa semana

Bjao

lis disse...

Oi Dalva
Que beleza esse Açougue Cultural, e como pessoas decididas conseguem um feito desse.Fico maravilhada com tais iniciativas.
Que surjam outros pelo país afora, é tudo que faz bem a uma cidade .
Parabéns pelas descobertas, sempre excelente.
abraços

Jr Vilanova disse...

Fantástica inicitiva... lembrei agora de uma padaria em Belo Horizonte que disponibiliza poesia nos sacos de pão... coisas tão simples, mas que geram muita satisfação e contribuem para o crescimento intelectual de todos!
Adorei saber.
Jr.

Jonathas Nascimento disse...

A história é comovente. Um banho de luz na escuridão reinante de nossos governantes.

Lindo, divino.

Abraços,

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