toda mulher é um deserto
é domingo, demoro-me um pouco mais na cama. gosto de atravessar esse tempo assim
sem pressa e descoberta do lençol
as formas fronteiriças da manhã deitando-se sobre meu corpo
quando me viro de bruços, a claridade encontra minhas costas, desde a nuca
conforme os minutos passam e o sol se ergue, ela desce, vértebra por vértebra; avança pelo sacro, pelas nádegas e coxas
toda mulher amanhece terra devastada
às nove e pouco, a a luz se alinha perfeitamente à janela. aí então me levanto e fecho a veneziana, voltando depois a me deitar, na mesma posição
(sou uma noite vestigiada pela promessa do ouro
sou aquela que está na cama
e que vive a vida trazendo dentro de si uma cidade lendária)
estamos no fim do verão; e é domingo
e meus cabelos celebram o deserto de sentir tua falta
meus cabelos celebram este lugar onde me deito desértica e me torno a um só tempo
mulher
e miragem
é domingo, demoro-me um pouco mais na cama. gosto de atravessar esse tempo assim
sem pressa e descoberta do lençol
as formas fronteiriças da manhã deitando-se sobre meu corpo
quando me viro de bruços, a claridade encontra minhas costas, desde a nuca
conforme os minutos passam e o sol se ergue, ela desce, vértebra por vértebra; avança pelo sacro, pelas nádegas e coxas
toda mulher amanhece terra devastada
às nove e pouco, a a luz se alinha perfeitamente à janela. aí então me levanto e fecho a veneziana, voltando depois a me deitar, na mesma posição
(sou uma noite vestigiada pela promessa do ouro
sou aquela que está na cama
e que vive a vida trazendo dentro de si uma cidade lendária)
estamos no fim do verão; e é domingo
e meus cabelos celebram o deserto de sentir tua falta
meus cabelos celebram este lugar onde me deito desértica e me torno a um só tempo
mulher
e miragem
Marceli Andresa Becker
Imagem da Web

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