segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Feminino Plural - Coco Chanel

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Quem foi Coco Chanel?
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Poucos são aqueles que não conhecem esse nome e a força que ele transmite...
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"Não gosto que falem de uma moda Chanel. Chanel é antes de tudo um estilo. A moda muda. O estilo permanece."
Coco Chanel
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Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em Saumur, no interior da França, em 19 de agosto de 1883, numa família pobre. Sua mãe morreu quando ela tinha seis anos, deixando-a com mais quatro irmãos aos cuidados do pai, Albert Chanel, que era caixeiro-viajante. Devido a sua profissão ele viajava muito, deixando a educação dos filhos aos cuidados de orfanatos e internatos.
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Com vinte anos, Gabrielle tentou realizar seu sonho: trabalhar na área das artes. Buscou emprego como dançarina e como atriz. Mas seu sonho não foi adiante: só conseguiu papéis pequenos como atriz e a dança não a levou adiante. Mas foi nestes anos - entre 1905 e 1908 - enquanto cantava nos "cafés" franceses, que Gabrielle adotou o nome de "Coco" - a "queridinha".
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"Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher."
Coco Chanel
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Foi mulher de muitos amores e amantes poderosos que influenciaram decisivamente sua vida. Gabrielle apaixonou-se por Etieene Balsan, comerciante de tecidos, e se uniu a ele. Mas foi em 1910 que se uniu a Arthur Boyle, industrial ingles, que seria o grande incentivador de sua carreira, ajudando-a a abrir a sua primeira loja de chapéus. Ao lado dele, Gabrielle começa a frequentar a alta roda da sociedade francesa. O romance com Boyle terminou, e alguns meses depois ele sofreu um acidente fatal. Desgostosa, Gabrielle abre, então, sua primeira loja de costura - a Maison - e passa a se relacionar com homens ricos, políticos e nobres influentes.
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"Uma mulher precisa de apenas duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame"
Coco Chanel
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Sua Maison era muito frequentada, e suas criações logo caíram no gosto do público. Seus negócios expandiram-se muito, e em 1914 já havia se transformado numa das estilistas de maior sucesso de Paris. Certamente que seu estilo peculiar muito contribuiu para isso: seu corte de cabelo à garçon (curtos, como o dos homens) despertou as mulheres para a ousadia.
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Coco sempre subverteu os padrões: no mundo da moda, que era dominado pelo sexo masculino, ela se destaca, criando a célebre empresa de moda feminina Chanel S.A.
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A década de 20 foi palco da revolução de Chanel, marcada por alto estilo e elegância. Suas criações baseavam-se em sua própria figura: a mulher do século 20, independente, bem-sucedida, estilosa e com muita personalidade. Seus trajes inovaram pelo conforto, pela fluidez dos tecidos, misturando-se às peças do guarda-roupa masculino.
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Coco mudou o seu guarda roupa para enfrentar o trabalho e uma vida mais prática.
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Com o estilo Chanel morre a rigidez do século 19:
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As nobres senhoras da época estavam acostumadas a viverem apertadas em corsets, com metragens infinitas de sedas e rendas, cabelos muito longos e enfeitadas com muitas jóias (jóias verdadeiras!). Com todo este aparato mal conseguiam se movimentar com naturalidade!
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"A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida talha o rosto que você tem aos 30. Mas depende de você merecer o rosto dos 50."
Coco Chanel
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Prática e moderna, Coco criou o estilo casual: adotou tecidos considerados rústicos, como o brim as malhas. As mulheres ganhariam lindas calças de montaria - só assim poderiam abandonar a idéia estúpida de cavalgar de saias! Adotou alças de corrente nas bolsas para que pudesse ficar com as mãos livres ao caminhar - e para segurar o cigarro, hábito que crescia entre as garotas.
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Conta-se que num jantar em um restaurante, em companhia de Capel, Coco comeu demais e então decidiu que não mais usaria o espartilho. Foi a primeira mulher a abandonar as roupas apertadas, liberando o corpo e sugerindo elegância e magreza. O velho Suéter de Boy Capel, que vestia pela cabeça e amassava toda a roupa não foi problema para sua criatividade: com uma tesoura, cortou-lhe a frente, e deu-lhe um lindo acabamento com fitas, gola e laço...
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E a revolução não tinha limites: introduziu o Jersey na confecção de vestidos práticos e amplos para usar sem corpetes, misturou jóias com bijuterias, criou a famosa calça no estilo "marinheiro": largas, com boca de sino que iam até os tornozelos. E à noite começou a usar pijamas de seda... Sem falar no "pretinho básico" - prático, bonito e adequado!
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Ao olharmos para os estilistas de hoje , muitas de suas tendências refletem o que Chanel já havia inaugurado. Seu bom gosto e estilo refletem um sentimento de luxo, mas sem ostentação.
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Suas criações marcaram para sempre a história da moda: o tailleur, o vestido preto, a bolsa com alças de corrente dourada, o colar de pérolas são símbolos de elegância e status, sem dúvida.
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Sem falar no famosíssimo perfume Chanel nº 5 - tido como o mais vendido no mundo. Criado em 1921 por Ernest Beaux, a pedido de Coco. Sua sugestão tornou-se célebre: "Quero um perfume de mulher com cheiro de mulher"...

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Mais uma inovação da estilista: era a primeira griffe a lançar um perfume com seu nome. Com mais de 80 anos, o perfume nunca teve sua formula alterada e apresentação - um frasco estilo art decó - é mantida até hoje. Foi o que fez de Coco Chanel uma mulher milionária. O célebre perfume de Chanel recebeu de diversas musas internacionais como garota propaganda: entre elas, Marylin Monroe em 1951: "Tudo o que uso para dormir são duas gotas de Chanel Nº. 5".
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"'Onde uma mulher deve usar perfume?', perguntou-me uma moça. 'Onde ela quiser ser beijada', eu respondi."
Coco Chanel

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A marca Chanel tornou-se um grande império, que inclui bolsas, sapatos, acessórios e perfumes. Chanel trabalhou ativamente até o ano de sua morte. Seu estilo clássico atravessou o século 20 e é tido como atemporal:
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"Eu criei um estilo para o mundo inteiro. Vê-se em todas as lojas: "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai de moda; Chanel não sai de moda."
Coco Chanel
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"A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com idéias, a forma como vivemos, o que está acontecendo."
Coco Chanel
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Mas nem tudo foi só brilho na vida deste mito da moda. Coco viveu um período muito conturbado: durante a 2ª Guerra Mundial assumiu o arriscado e deplorável papel de colaboradora nazista. Ela, como outros franceses, se uniu aos seguidores de Hitler durante a ocupação da França. Nesta época, Coco morava no famoso Hotel Hitz, que era usado como sede do quartel general alemão na França ocupada. Coco Chanel envolveu-se, então, com o oficial nazista Hans Gunther von Dinck, um rapaz 13 anos mais jovem que ela.
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"A moda virou uma piada. Os designers se esqueceram que existe mulheres dentro das roupas. A maioria das mulheres se veste para os homens e quer ser admirada. Mas elas também precisam andar, entrar num carro sem arrebentar a costura! Roupas têm que ter uma forma natural."
Coco Chanel
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Aproveitando-se deste momento difícil de antisemitismo, espoliou e despojou seus sócios de origem judia, Pierre e Paul Wertheimer, que muito a ajudaram no início da carreira.
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Além deste triste episódio de traição, houve também a tenebrosa Operação Modelhut - "Chapeú da Moda" - cujo objetivo era conquistar os ingleses como aliados para os alemães. A participação de Chanel neste episódio foi devido ao estreiro contato que tinha, por um lado com um de seus ex-amantes, o duque de Westminster, amigo íntimo do primeiro-ministro inglês Winston Churchill, e de outro com Walter Schellenberg, chefe do serviço de espionagem nazista. E durante este período suas Maisons prosperaram como nunca.
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Ao final da guerra, com a derrota dos nazista, todos os colaboracionistas foram punidos e execrados publicamente. O número de mulheres presas foi de 6.091 - elas tiveram as cabeças raspadas e foram expostas nuas em praça pública. Repudiaram principalmente as mulheres que tinham tido "colaboração sexual" com os alemães, além de perseguirem aquelas que, desempregadas, encontraram emprego nas fábricas inimigas. Coco Chanel chegou a ser presa, mas foi logo libertada. Atribui-se o fato às relações que mantinha com o duque de Westminster, amigo de Churchill. Mas sua moral ficou abalada. Mal vista pelos franceses, exilou-se na Suiça, de onde só saiu em 1956. Uma campanha da mídia visando abalar sua coleção, tacharam-na de ultrapassada - e "endeusavam" o new look de Dior.
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"Eu não entendo como uma mulher pode sair de casa sem se arrumar um pouco - mesmo que por delicadeza. Depois, nunca se sabe, talvez seja o dia em que ela tem um encontro com o destino. E é melhor estar tão bonita quanto for possível para o destino."
Coco Chanel
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E Chanel teve, então, dificuldades. Para manter a Maison aberta, expandiu seu mercado e começou a vender roupas para o outro lado do Atlântico. Por ironia do destino, foi no episódio da morte de J. F. Kennedy que começou a sua "volta por cima". A primeira dama norte-americana Jackie Kennedy admirava muito o estilo Chanel e no dia da morte do marido usava um vestido de sua grife! E a estilista então voltou a aparecer nas revistas de moda, com novas criações e logo retornou a França, indo residir novamente no Ritz de Paris, onde faleceu em janeiro de 1971. O seu funeral foi assistido por centenas de pessoas que levaram as suas roupas em sinal de homenagem.
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"Onde está realmente a genialidade de um costureiro? A genialidade é de saber prever... O grande costureiro é um homem que tem o dom do futuro em sua mente."
Coco Chanel
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Não sei o que exerce maior atração na vida de Coco Chanel: se seus amores e desaforos, se sua intuição e ousadia, se seu estilo... Muitas histórias se criam em torno dos mitos, algumas verdades, uma boa dose de fantasia... O fato é que é primordial que exista uma referência como ela: uma mulher que representa e sempre representará a liberação feminina em todos os sentidos.
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Conheça mais sobre Coco Chanel:

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Filme: "Coco Antes de Chanel", de 2009.

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8 comentários:

Juliana Lira disse...

Dalva

Fiquei curiosa por esse mito que criou um estilo tão único!O fato dela ter ajudado os nazistas realmente abala muito sua imagem como ser humano, mas não abala sua genialidade.
Talvez assista o filme enfim...

Milhões de beijos

HSLO disse...

Hum...fiquei maravilhado com a postagem, super interessante. Eu não sabia de toda essa história.


abraços


Hugo

Naty e Carlos disse...

Olá passei parate visitar e gostei.
boa semana
bjs

Georgia disse...

Muito bom Dalva. Estou adorando esta série semanal onde você nos traz a vida de um personagem. Adorei.

Um beijo

meus instantes e momentos disse...

a gente começa a ler e vai indo, vai indo.....
Belo post.
Maurizio

Jr Vilanova disse...

Dalva!
Estava ansioso por esse post! Muito completo, muito bonito! Vou até lê-lo novamente!rs...

Parabéns minha amiga! No dia de Iemanjá, O infinito destaca a história de uma grande mulher!

Adorei.
Jr.

Silvana Nunes .'. disse...

Boa tarde, dalva.
Dando uma passadinha para apreciar as últimas novidades. Muito legal essa pesquisa.
Para quem cultua, hoje é dia de fazer pedido, é dia de Iemanjá.
Aproveito a minha estada aqui no seu cantinho para comunicar que, devido a diversos pedidos com algumas explicações, farei uma série com os orixás importados da cultura africana e cultuados no Brasil
Comecei como Iemanjá, pois hoje é o dia dela.Espero que aprecie um pouco dessa literatura africana que muito nós outros por suas histórias e mitos.
Um grande abraço.
Silvana Nunes

Tucha disse...

Vc foi completa na biografia da estilista, uma mulher criativa e inovadora. Pena que a colaboração com o nazismo tenha dado destoado do conjunto.

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