quinta-feira, 7 de junho de 2012

Tempus Fugit




"Dia em que não gozaste não foi teu: 
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.

Ricardo Reis


Fotografia de Alan Cleaver, no Flickr

"... Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.

Podes indicar-me alguém que dê o justo valor ao tempo aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? É um erro imaginar que a morte está à nossa frente: grande parte dela já pertence ao passado, toda a nossa vida pretérita é já do domínio da morte!

Nada nos pertence, Lucílio, só o tempo é mesmo nosso. A natureza concedeu-nos a posse desta coisa transitória e evanescente da qual quem quer que seja nos pode expulsar. É tão grande a insensatez dos homens que aceitam prestar contas de tudo quanto lhes é emprestado, mas ninguém se julga na obrigação de justificar o tempo que recebeu, apesar deste ser o único bem que, por maior que seja a nossa gratidão, nunca podemos restituir..."

de Sêneca, em “Cartas a Lúcio”


2 comentários:

Jota Sena disse...

Bom dia Dalva!

Esta sua postagem, nos faz parar e pensar, no tudo que deixamos passar, sem nos dar conta que o esperdiçamos nosso tempo, com coisas banais e estas nos conduziram ao encontro do nada.

Abraços e um bom feriadão para você junto aos seus.

Malu disse...

Dalva, tudo está tão belo por aqui!!! Foi muito bom passear pelo teu espaço que assim como o meu também é INFINITO!!!!
Abraços

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