sexta-feira, 1 de março de 2019

Barulhada




Uma barulhada lá fora entrando por frestas das janelas, fui ver.

Era o sol, um monte de sol, uma montoeira. Tanto em rumas como espalhado: finas camadas. É um tipo de oceano, com ondas que vão e vêm, espumoso nas bordas. Brilhoso nos pelos dos gatos.

Pra todo lado, na pele verde dos pinheiros, galopando sobre pastos, ruas, inventador de sombras.

Tinha sol voando e sol cabisbaixo, parado e semovente, uma coisa.

E azulado de tudo, no alto claro. Tinha até sol alaranjado nos caquis.

Ensurdecedor. Por isso levantei-me presto, mergulhei no seu calor, Eu estava líquido de sono, me solidifiquei.

Bom dia.

José Antonio Abreu de Oliveira

Imagem: daqui

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