sábado, 9 de abril de 2011

Nossos tempos



Encerra-se hoje, no Rio de Janeiro uma semana diferente. Pode-se dizer que foi uma semana com mais dor e perplexidade do que outras.

Muitos pais e professores começaram aquele dia com um beijo de seus filhos e/ou de seus alunos. Muitos fizeram carinho em seus rostos, passaram as mãos nos seus cabelos, abraçaram e beijaram as crianças. E não é difícil supor que muitos pais ficaram emocionados ao se despedir de seus filhos, deixando-os na escola e indo para mais um dia de trabalho.

(fotografia "O Dia Online")

Hoje, certamente, sua emoção ao pensar nessas crianças é outra. O sentimento que domina pais e professores, e a sociedade de uma maneira geral, é bem diferente.

Pelas ruas percebe-se num rosto a dor; em outros a raiva e a revolta; em muitos o que predomina é a perplexidade. O massacre das crianças acontecido na escola de Realengo nos coloca frente a frente com uma desagradável sensação de impotência, espanto e choque.

Isto acontece em parte por não termos culpados a apontar. O agente do ato insano suicidou-se, está morto e portanto longe de nossos dedos acusadores. O que torna este massacre mais assustador é justamente o fato de não se ter culpados a apontar. Não há um cristo que possa expiar, não há atenuantes... e isto faz com que nosso coração doa mais.

Passado o momento da raiva e da revolta, sobra-nos a dor e o assombro. Nossa cidade, como qualquer outra grande cidade no mundo inteiro, sempre foi e será palco dessas grandes manifestações de violência. Mas este caso é diferente.

(fotografia Victor Caivano/AP)

Quem não se lembra do pobre menino João Hélio ao ser arrastados pelas ruas da cidade... Mas tivemos a polícia para culpar, bem como as entidades de proteção ao menor. Quando as crianças foram mortas e chacinadas na Candelária também tivemos a polícia para apontar o dedo: eles fizeram justiça com as próprias mãos. E assim também aconteceu com a tragédia de Vigário Geral... Quando são as chuvas que causam a tragédia, nosso dedo se volta contra o governo municipal, estadual, federal... a culpa é dos políticos.

Será que tudo se resume nisto? Culpar a polícia, o governador, o prefeito, o presidente, o diretor da escola...?

Diante de uma violência deste calibre o que nos assusta é a nossa incapacidade de lidar com aquilo que não conseguimos controlar, com o imponderável que tanto nos atemoriza, e nos põe frente a frente com a terrível impressão de que dias piores virão...


Um comentário:

* Maria Edméia * disse...

*Dalva, foi TRISTE DEMAIS tudo o

que aconteceu em Realengo na

escola municipal !!! Precisamos

ficar ATENTOS para evitarmos essas


coisas !!! (*Falo como pessoa,

como mãe e como professora !!!).

*Tenhas uma ótima semana, minha

amiguinha !!!

*Fiques com Deus.

*Um abraço.

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