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sábado, 9 de abril de 2011

Nossos tempos



Encerra-se hoje, no Rio de Janeiro uma semana diferente. Pode-se dizer que foi uma semana com mais dor e perplexidade do que outras.

Muitos pais e professores começaram aquele dia com um beijo de seus filhos e/ou de seus alunos. Muitos fizeram carinho em seus rostos, passaram as mãos nos seus cabelos, abraçaram e beijaram as crianças. E não é difícil supor que muitos pais ficaram emocionados ao se despedir de seus filhos, deixando-os na escola e indo para mais um dia de trabalho.

(fotografia "O Dia Online")

Hoje, certamente, sua emoção ao pensar nessas crianças é outra. O sentimento que domina pais e professores, e a sociedade de uma maneira geral, é bem diferente.

Pelas ruas percebe-se num rosto a dor; em outros a raiva e a revolta; em muitos o que predomina é a perplexidade. O massacre das crianças acontecido na escola de Realengo nos coloca frente a frente com uma desagradável sensação de impotência, espanto e choque.

Isto acontece em parte por não termos culpados a apontar. O agente do ato insano suicidou-se, está morto e portanto longe de nossos dedos acusadores. O que torna este massacre mais assustador é justamente o fato de não se ter culpados a apontar. Não há um cristo que possa expiar, não há atenuantes... e isto faz com que nosso coração doa mais.

Passado o momento da raiva e da revolta, sobra-nos a dor e o assombro. Nossa cidade, como qualquer outra grande cidade no mundo inteiro, sempre foi e será palco dessas grandes manifestações de violência. Mas este caso é diferente.

(fotografia Victor Caivano/AP)

Quem não se lembra do pobre menino João Hélio ao ser arrastados pelas ruas da cidade... Mas tivemos a polícia para culpar, bem como as entidades de proteção ao menor. Quando as crianças foram mortas e chacinadas na Candelária também tivemos a polícia para apontar o dedo: eles fizeram justiça com as próprias mãos. E assim também aconteceu com a tragédia de Vigário Geral... Quando são as chuvas que causam a tragédia, nosso dedo se volta contra o governo municipal, estadual, federal... a culpa é dos políticos.

Será que tudo se resume nisto? Culpar a polícia, o governador, o prefeito, o presidente, o diretor da escola...?

Diante de uma violência deste calibre o que nos assusta é a nossa incapacidade de lidar com aquilo que não conseguimos controlar, com o imponderável que tanto nos atemoriza, e nos põe frente a frente com a terrível impressão de que dias piores virão...


quarta-feira, 16 de março de 2011

Acabou!


Com o desfile das campeãs, no sábado, acabou o carnaval no Rio.


Minha amiga Vera, carnavalesca autêntica, não perdeu um dia de folia. Desfilou em diversos blocos e em duas escolas de samba. Ela não consegue entender como eu não me empolgo por esta festa cheia de brilhos, purpurinas, confetes e serpentinas... Ela está enganada: eu adoro o carnaval! Quatro dias de feriado... e não perco tempo: escolho logo um local no mapa, bem longe da “folia” e vou me embora rapidinho! Neste ano subi a serra e me “escondi” numa fazenda bem longe de todo reboliço. Sequer ouvi o som de um reco-reco, de um atabaque... nem sei se esta ou aquela escola de samba ganhou ou perdeu...

Eu e minha amiga Vera tivemos dias bem diferentes...

Sexta-feira à noite:
- Vera, vestida com sua colombina cor de rosa, toma a primeira cerveja antes de começar o baile à fantasia na boate.
- Eu chego na fazenda no finalzinho da tarde e tenho o privilégio de assitir a um por do sol caprichado.

Sábado pela manhã:
- Vera está tomando sua décima cerveja e beijando um pierrot que conheceu no baile. Depois vai prá casa, cai bêbada e cansada na cama, não consegue nem tirar a fantasia.
- Eu acordo com o sol entrando pelas cortinas do quarto, me espreguiço, viro de lado e vou dormir mais um pouquinho.


Sábado a tarde:
- Vera acorda com a cabeça ainda rodando e aquele gosto de guarda-chuva na boca. Mas nada como uma cerveja para curar uma ressaca: ela bebe então, a sua primeira cerveja do dia.
- Eu estou terminando um almoço delicioso preparado na cozinha a lenha do restaurante da fazenda, com direito a doce de mamão caseiro de sobremesa.

Sábado a noite:
- Vera chega na concentração no Sambódromo e veste sua fantasia para desfilar na primeira Escola de Samba. A entrada na avenida atrasa e ela está apertada para fazer xixi. Mas não dá tempo de ir ao banheiro... imagine, então, como ela se alivia?
- Eu assisto com o maridão um DVD daquela comédia romântica que fez o maior sucesso no cinema há pouco tempo.

Domingo pela manhã:
- Vera está chegando em casa embriagada e faminta depois da esticada na quadra da Escola de Samba, mas está tão cansada... nada de comida, nada de banho: cai na cama totalmente atordoada.
- Eu me aqueço ao sol da manhã na rede da varanda, com direito a suco de framboesa.

Domingo à tarde:
- Vera, depois de acordar com a cabeça martelando, engole um comprimido e prepara um pacote de miojo com queijo parmesão para o almoço... e sai correndo para o bloco que já está concentrado na esquina da rua.
- Eu pedalo a tarde inteira, sentindo o vento fresco no rosto e o perfume da mata que rescende a eucalipto.

Domingo à noite:
- Vera chega de novo ao Sambódromo e veste a fantasia para desfilar na segunda
Escola de Samba. Enche o pé machucado de esparadrapo para conseguir subir na sandália dourada com salto 15.
- Eu e o maridão tomamos vinho e ouvimos Vander Lee.

Segunda-feira pela manhã:
- Vera chega em casa meio zonza e tem que literalmente lutar com o seu companheiro folião para convencê-lo de que ele não vai entrar no seu apartamento.
- Eu reservo esta manhã especial para um mergulho na piscina e para ficar “jiboiando” ao sol, com direito a água de coco com canudo.


Segunda-feira à tarde:
- Vera, com o pé ainda machucado e a cabeça já cheia de cerveja, veste seu shortinho e capricha no decote: vai arrasar no bloco do bairro vizinho.
- Eu balanço na rede da varanda, e termino de ler o livro que trouxe como companhia.

Segunda-feira à noite:
- Vera e a turma vão para a boate e passam a noite toda dançando, jogando confete para o alto e bebendo cerveja.
- Eu e o maridão vamos ao restaurante da fazenda e nesta noite ouvimos música popular brasileira ao vivo, cantada por um cantor que tem a voz que faz lembrar o Milton Nascimento, com direito a champanhe.

Terça-feira pela manhã:
- Vera chega em casa com os pés doendo e a cabeça rodando. Mais uma vez cai exausta na cama...
- Eu aproveito a manhã para fazer uma caminhada pela estrada calma e tranqüila da fazenda, com direito a canto de passarinho.

Terça-feira à tarde:
- Vera, depois de comer seu almoço de miojo com salsicha, se prepara para mais um dia de folia: o bloco hoje é da pesada, e ela precisa arrasar... afinal, já é terça-feira, e o carnaval está acabando.
- Eu, depois de um almoço saboroso, vou tirar uma soneca.

Terça-feira à noite:
- Vera se veste de odalisca, pois hoje tem baile a fantasia na casa de uns amigos. Ela passa a noite inteira dançando, tomando cerveja, jogando confetes para o alto e tentando escapar de um carinha chato que grudou no seu pé.
- Eu e o maridão vamos ao restaurante da fazenda: a noite está perfeita para dançar.


Quarta-feira de cinzas pela manhã:
- Vera chega em casa bêbada e mais uma vez vai para a cama sem conseguir sequer tomar um banho. E o pior: se esquece que hoje, ao meio dia tem que voltar ao trabalho, e dorme a tarde toda.
- Eu e o maridão arrumamos as malas, pegamos a estrada e voltamos, renovados, para a vida comum. Chego e estranho a cidade: as ruas estão mais sujas e mal cheirosas do que nunca...


domingo, 28 de novembro de 2010

Esperança


A alma do carioca está triste. Há 7 dias os rostos que vemos pelas ruas são tensos e assustados.

Mas temos esperança... queremos nosso Rio de volta!


BICHO DE SETE-CABEÇAS


Estado recupera território que era do tráfico -Bandeiras do Brasil e da Polícia Civil foram hasteadas no alto do Complexo do Alemão - RJ- Foto Globo On Line

Nada funciona por aqui
meninos pisam em castelos de areia
alguns armam barracas no céu e outros... não sabem como desacampar

Ocupação de favela do Rio pelo Bope. Foto de Marcelo Saião O Globo On Line

Nada funciona por aqui
ninguém ‘bate-cara’ ! escondem-se dos próprios defeitos
concreta_mente as novas letras nos dicionários são madrastas

Nada funciona por aqui
cães babam sem vacina não mostram sequer os dentes
a Alegria que contagia é espuma desviada

Wilton Junior/AE/Arquivo/28.12.2009
Imagem EpocaEstado

Nada funciona aqui
milhões de folhas esperam por ponta-pés iniciais
para formarem redemoinhos com o vento

Nada funciona por aqui
estou sentada no selim ouvindo o ranger do aro da bicicleta
quase paralisada de frio relendo sete palavras-chaves

Polícia e Exército continuam na entrada da Favela da Grota, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio Foto: Fabio Rossi - Extra

Nada funciona por aqui
não compreendem como se lê a Esperança de madrugada
podem... mas devem ter preguiça de lustrar as estrelas

Dezenas de pessoas participam de missa celebrada no Corcovado, neste domingo: uma benção pela paz no Rio Foto: Reprodução

Nada funciona por aqui
...talvez sintam medo de morrer e de se entregar ao Amor
que dá Força ao renascer à Vida: - Outra vez, Aurora cante outra vez...

Helicóptero leva a bandeira do Estado do Rio para ser hasteada no alto do Morro do Alemão Foto: Gabriel de Paiva _ O Globo



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Receba este abraço!


Fotografia de rikipanema

O Rio de Janeiro ganhou nesta terça-feira, 19/10, mais um presente. O Cristo Redentor recebeu uma projeção de luzes criando uma ilusão de ótica como se a estátua estivesse abraçando a cidade...

É uma iniciativa da campanha "Carinho de verdade, um gesto contra a violência sexual das crianças e adolescentes", que tem como madrinha a apresentadora Xuxa.

Para criar o efeito no topo do Morro do Corcovado foram usados oito projetores de alta potência que cobrem a estátua do Cristo com imagens do Rio. Além do abraço, as imagens criam a impressão de que a estátua está "girando" 360 graus e admirando a cidade.

Assista o vídeo, e sinta-se você também abraçado, carioca da "gema" ou do "coração"...

Projeções do abraço do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, de Fernando Salis


segunda-feira, 1 de março de 2010

Vamos fazer uma festa!!!


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Hoje a festa é do Rio: 445 anos dessa cidade, às vezes tão mal cuidada, mas bonita por natureza! Apesar da idade se mostra ainda vigorosa, bela e elegante em suas paisagens. Berço de grandes nomes da música, do verso e da prosa e do cenário literário. O Rio sussura em nossos ouvidos bossa, samba, funk, machinha e nos tranqüiliza ao som de um romântico chorinho.
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Bem-vindo você que chega para essa festa!
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Convido você a puxar uma cadeira e comer conosco um pedaço de bolo... para acompanhar certamente vamos servir a você um choppinho bem gelado! E de brinde oferecemos a brisa do mar batendo em seu rosto...
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Certamente os ventos que trouxeram você aqui já cochicharam em seus ouvidos os assuntos que vamos tratar aqui nessa mesa: o amor por essa cidade tão contraditória, que nos faz rir e chorar, suas belezas, a musicalidade de seus recantos, o bom-humor do carioca, a beleza das meninas, o futebol de praia, o calor que é nosso companheiro o ano inteirinho...
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Venha... um dedinho de prosa não custa nada! Mas olha: tudo isso é só um pretexto para louvar as belezas da Cidade Maravilhosa. Não é apenas o Cristo Redentor, de braços abertos, que acolhe sua chegada com alegria, é também o sol, o mar... a alma dessa cidade que brinda seus visitantes com o espírito de "ser carioca", esse jeitinho descontraído e bem-humorado.
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E convenhamos: esse jeitinho é imprescindível para viver em qualquer grande cidade, seja ela qual for! Driblar e conviver com os contrastes, as diferenças, a violência!
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Vem conosco, agora, passear no Rio...
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Passear por suas ruas, que apesar dos imensos arranha-céus, sempre nos dão o vislumbre agradável de suas montanhas encantadas...
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Foto by Carlos Azevedo
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Ruas apinhadas de gente, e que mesmo assim nos dão uma sensação de estarmos caminhando por um passado não tão distante, como nesses espaços que ficam tão próximos das grandes avenidas, mas que nos remetem a um Rio Antigo, com suas ruas estreitas e casario antigo...
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Foto by Carlos A(zevedo
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Ruas que, a cada esquina, nos presenteiam com uma visão exuberante da natureza, em pleno centro urbano...
. Foto by Lucas Landau
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E onde nem tudo é tão bonito, afinal... pois, como em todas as grandes metróples do mundo,
o retrato da desigualdade também se encontra em toda parte...

Foto by Paulo Afonso de Almeida Teixeira
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E que, depois de uma dia estressante em que você fica fechado em um escritório, o sol proporciona a você um espetáculo deste...
. Foto by Lucas Landau
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Uma cidade onde convivem todos os tipos de trabalhadores, desde os "engravatados" da Av. Rio Branco àqueles que se revestem de humildade e serenidade...

Foto by Ricardo Zerrenner

Uma cidade que em cada esquina exibe traços de sua cultura e religiosidade...

Foto by Fernando Quevedo

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... que nos encanta com sua exuberância...

Foto by Lucas Landau
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E nos fazem um convite sutil para o "happy hour" animado com os amigos...
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Foto by Carlos Azevedo
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Foto by Ivan Cesar
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Foto by Carlos Azevedo
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E quando você, que nos honrou com a sua visita, se for... leve consigo um abraço... ficamos daqui acenando, vendo você ir embora, certos de que leva no coração um carinho todo especial por esta cidade que também é sua. Afinal, todos que por aqui passam, que andam por suas ruas, que se misturam com a sua gente, é carioca também!
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RIO 40 GRAUS - FERNANDA ABREU
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domingo, 29 de novembro de 2009

Carioquissima

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Seria uma imagem do Outono no Velho Continente?
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Imagem: Eurico Dantas
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É apenas a Primavera, em plena Avenida Presidente Vargas, no Rio e Janeiro, em torno das águas do Canal do Mangue, que se veste de verde e amarelo, esperando o verão chegar...

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Bom domingo!

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Por tudo o que perdemos...

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Morro Dois Irmãos - Leblon - Rio de Janeiro
Foto daqui.
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"Chegando em casa com a alma amarfanhada e escura
das refregas burocráticas leio sobre a mesa
um bilhete que dizia:
- Hoje, 22 de agosto de 1994, meu marido perdeu, deste terraço:
mais um pôr de sol no Dois Irmãos
o canto de um bem-te-vi
e uma orquídea que entardecia
sobre o mar."
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Affonso Romano de Sant'Anna
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Inclusão social - Blogagem Coletiva

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INCLUSÃO SOCIAL - FAVELA/PERIFERIA
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Ao pensar no tema desta Blogagem Coletiva promovida pela Ester do Blog Esterança, optei por postar sobre o desafio da Inclusão Social que se busca no âmbito Favela/Periferia.
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" Todos somos iguais e na realidade, as diferentes raças humanas se tornam algo superficial, já que todos nós viemos do mesmo lugar e possuímos um laço familiar com uma mesma mulher. A razão pela qual nos vemos diferentes uns aos outros deve-se a diferenças ambientais e a mudanças de nossa pele e cultura no decorrer dos anos... contudo, somos todos iguais!"
(mother of us all.) - http://dsc.discovery.com/


INCLUSÃO SOCIAL - PERIFERIA

No Rio de Janeiro existe atualmente mais de 700 favelas, onde vive aproximadamente 20% de sua população. As favelas não se localizam apenas na periferia da cidade, mas situam-se historicamente também dentro dos bairros centrais e mais caros. Seus habitantes participam ativamente do cotidiano e da vida econômica da cidade, desempenhando os mais diversos trabalhos e funções. Profundamente enraizadas na cultura brasileira, seja através do samba, do carnaval ou do funk, as favelas têm também configurações urbanas próprias, que resultam das construções realizadas pelos próprios moradores, e que acabam por se constituir como espaços de fato da cidade.

Apesar disto, o preconceito histórico em relação às favelas, alimentado pelo controle territorial exercido pelo narcotráfico a partir das últimas décadas, faz com que estas e seus habitantes sejam estigmatizados e responsabilizados pelas às mazelas da cidade, numa lógica perversa que ignora que as favelas são justamente o resultado de uma sociedade desigual.

Várias ONGs têm apresentado projetos com intuito de elevação à auto-estima, inclusão social e combate a violência, objetivando inserir a população das favelas na sociedade e no meio cultural, divulgar a arte e cultura da periferia para construção de uma cidadania e contribuir para redução da discriminação e da violência nas favelas.

As atividades destas ONGs baseiam-se, geralmente, na divulgação dos trabalhos de cunho artístico dos moradores das favelas, além de manter projetos de comunicação popular e cultural. Todas as organizações não governamentais possuem o mesmo objetivo e se complementam entre si em busca do mesmo - promover a atividade artística e cultural como forma de construção da cidadania e melhoria da qualidade de vida.

Os artistas das favelas enfrentam barreiras ocasionadas pelo preconceito e estavam desmotivados a seguirem seus trabalhos por serem titulados pela sociedade como marginais. A falta de bens matérias, espaços para ensaios e difícil acesso à mídia era o que mais dificultavam a concretização desses sonhos. A criação de diversas ONGs possibilitou meios para que fossem realizadas diversas manifestações como uma forma de mudar essa atual situação, porém esta condição ainda ocorre em muitas periferias de todo o Brasil.



DA FAVELA PARA O MUNDO

O Grupo Cultural Afro Reggae foi criado em 1993 para dar oportunidade a jovens ociosos, envolvidos com o tráfico ou próximos disso. Atuando em comunidades pobres e oferecendo atividades como circo, teatro, dança, esporte e música, o grupo completou em 2003 dez anos de muita luta, conquistas e resultados expressivos.O livro editado pela Aeroplano com apoio da Takano, da Fundação Ford e do próprio grupo, recebeu o capricho merecido da Tecnopop, num projeto gráfico de Sonia Barreto


A MELHOR RESPOSTA
Prefácio de Zuenir Ventura para o livro"Da favela para o mundo"

Essa é a história de um grupo contada por um de seus criadores e prefaciada por um admirador que há dez anos acompanha os dois, tendo praticamente assistido ao nascimento do Afro Reggae. Ver essa turma crescer e sobreviver às dificuldades, impor-se aqui e lá fora, obter sucesso e fama é um privilégio que me enche de satisfação, principalmente porque se trata de uma experiência que pode servir de exemplo para outras comunidades pobres da cidade e do país.

O nosso caso de amor, meu com o Afro Reggae, começou quando desembarquei pela primeira vez em Vigário Geral, lá pelos idos de 1993, numa tarde ensolarada de outubro, para conhecer a favela um mês depois da chacina de 21 de seus moradores, barbaramente consumada pela tropa de policiais chamada Cavalos Corredores.

A experiência de freqüentar Vigário, de conhecer sua gente, que foi para mim uma das mais ricas profissional e existencialmente, iria ser incorporada ao livro Cidade Partida. Naquele momento, porém, eu estava ali como um jornalista interessado em saber como tinha sido possível tanta violência contra cidadãos pacíficos e inocentes. A comunidade estava naturalmente traumatizada, mas o que mais me impressionou foi que, por detrás do luto e do sofrimento, não havia ódio, não havia desejo de vingança, não havia vontade de represália. Só dor.

À noite seria realizado na quadra da favela o primeiro show depois da chacina, o Vigário in Concert Geral. Enquanto esperava, fiquei conversando com alguns jovens, aos quais acabara de ser apresentado. Cinco deles me chamaram a atenção pelas camisas multicoloridas e o cabelo rastafári. Alguém me disse que eles eram do Afro Reggae – e foi assim que ouvi pela primeira vez o nome.

A história desses dez anos, vocês verão lendo o livro, foi cheia de conquistas, mas também de tensão e medo. Não é fácil fazer o bem na favela. É como andar sobre um fio da navalha, tendo de um lado a violência do tráfico e do outro a da polícia, as suspeitas de uns e de outros. O fascínio juvenil pela aventura e pelo risco, a tentação do enriquecimento rápido e ilícito, o aceno sedutor das drogas, a "glória" efêmera e o poder das armas, tudo isso, aliado ao desemprego, à miséria e à falta de perspectiva, funciona como obstáculos e impedimentos a um trabalho de integração social.

Em meio a esse caldo de cultura, como disputar com o narcotráfico os corações e mentes da juventude? Não conheço melhor resposta a essa angustiante questão do que a que tem sido dada pelo Afro Reggae, que oferece como substitutos à viagem fugaz, que leva ao inferno pensando estar levando ao paraíso, o prazer e a sedução pela arte, a oferta enfim de um caminho com futuro, segurança e a possibilidade de sucesso.

O que mais admiro na experiência do Afro Reggae é o zelo e o rigor na formação de seus artistas. É um trabalho de inclusão social, de cidadania, bem entendido, mas também um projeto de inserção cultural. José Junior não se contenta em tirar da marginalidade, das zonas de risco, os jovens a perigo, o que já seria uma louvável tarefa. Ele quer lhes dar um emprego, uma profissão, fazer deles artistas competentes. Daí o nível de exigência na formação da consciência profissional de cada um, da responsabilidade e da noção do ofício.

Não por moralismo, mas porque assistiu ao fim trágico de muitos de seus colegas e amigos de infância, Junior abomina as drogas, o que pode surpreender, tendo em vista inclusive o seu ritmo febril de trabalho, o seu pique incansável. "Muita gente duvida que não cheiro pó. Mas nunca cheirei, nem fumei maconha, nem tomei um copo de vinho e nem brindei com champanhe. Nem joguei. Cresci vendo as conseqüências maléficas".

Essa disciplina espartana que ele se impõe funciona como exemplo, constitui sua melhor pedagogia. Por tudo isso é que acho que os dez anos do Afro Reggae são apenas o começo.



ARTE PARA TRANSFORMAR A REALIDADE




VIDEO NO RITIMO DA INCLUSÃO SOCIAL

A F/Nazca S&S acaba de produzir pela O2 Filmes um vídeo de animação para a campanha institucional da ONG carioca AfroReggae. A criação mostra, de maneira bastante simpática, o resgate e a conquista de meninos da favela pela música. No filme, o muro retrata o preconceito da sociedade, que é quebrado quando a música vem para transformar em elo o que era distância.




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Este post faz parte da Blogagem Coletiva INCLUSÃO SOCIAL, promovida pelo Blog ESTERANÇA.

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Obrigada, Ester. Foi um prazer participar.

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domingo, 4 de janeiro de 2009

O Rio de Janeiro continua louco...

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Hoje trago um texto em homenagem a essa cidade que amo tanto...
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O RIO DE JANEIRO CONTINUA LOUCO...
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Estive dois dias no Rio e, chegando de volta a São Paulo, isso me fez pensar. O fato é que não consigo ir ao Rio sem retornar contundida, resfriada, ressacada. Mas, a sensação é sempre de que valeu a pena, porque lá você se diverte, e se diverte muito, mesmo que não seja essa a sua intenção.
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O divertimento persegue você pelas ruas cariocas, e não há como se esconder dele. Porque não existe cidade no mundo com tanta alegria de viver, por metro quadrado. No Rio, você sai para comprar um cigarro e na esquina, subitamente o cigarro se transforma num chope, subitamente a esquina se transforma numa pizzaria no Leblon, e, quando você se dá conta, está contando confidências para uma pessoa que você nunca tinha visto antes, com a bolsa cheia de números de telefone. Só mesmo os cariocas dizem que São Paulo muito mais opções de divertimento.
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Ok, aqui o número de lugares para se ir impressiona, a quantidade de gente que freqüenta a noite também, mas a questão é que, no Rio, não é necessário ser de noite nem se estar em algum "lugar" para se divertir. O perigo pode estar em qualquer calçada, banca de jornal ou farmácia. Basta você encontrar um conhecido, que outro já aparece, e daqui a pouco alguém vem com a idéia de se tomar alguma coisa logo ali; e a próxima vez que você olha no relógio, já são quatro da manhã e você está num galpão dançando funk.
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Comigo, pelo menos, é sempre assim: vou a trabalho e o trabalho já é uma curtição, pois a reunião de negócios tem vista para o mar. Depois, sempre tem alguma festinha já que, no Rio, basta alguém levar uma bebida e ligar o rádio para se ter uma festinha. E, como há o hábito de cada um levar a sua garrafa, todo mundo acaba se esbaldando junto. Na hipótese bastante provável da festinha virar festa, porque um chama o outro e o outro sempre chama mais um, prepare-se para atingir índices inéditos de divertimento. Porque, no Rio, uma festa só acaba quando dá polícia. Sendo que a música só abaixa mesmo quando o aniversariante, no Rio sempre tem um aniversariante para justificar a algazarra, é quase levado em cana.
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Sou do Rio, moro em São Paulo, e amo São Paulo.Mas, desculpem-me, os paulistas têm muito o que aprender com os cariocas em matéria de divertimento. No Rio, não tem VIP nem famoso, não tem "in" nem "out", não tem cafonas nem bem-vestidos. Lá, está todo mundo igual, nu nas praias, seminu ao redor delas. Sem pudor de se divertir e sem vergonha de se exceder. Os cariocas sabem pagar mico com categoria. Porque todo mundo é da malandragem.
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Fernanda Young
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