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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Amanhecer barulhento




Trago um texto delicioso, com jeitinho de roça, de interior - e de delicadeza. De um autor que admiro. Peço licença ao autor pelo título meramente ilustrativo que dou à sua prosa poética.
Espero que gostem.
Uma barulhada lá fora entrando por frestas das janelas, fui ver. Era o sol, um monte de sol, uma montoeira. Tanto em rumas como espalhado: finas camadas.É um tipo de oceano, com ondas que vão e vêm, espumoso nas bordas. Brilhoso nos pelos dos gatos.Pra todo lado, na pele verde dos pinheiros, galopando sobre pastos, ruas, inventador de sombras.Tinha sol voando e sol cabisbaixo, parado e semovente, uma coisa.E azulado de tudo, no alto claro. Tinha até sol alaranjado nos caquis.Ensurdecedor. Por isso levantei-me presto, mergulhei no seu calor, Eu estava líquido de sono, me solidifiquei.
Bom dia.

José Antonio Abreu de Oliveira



Crédito da imagem: Pinterest


domingo, 27 de abril de 2014



"Não quero adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa."

Oscar Wilde


Sempre aprendendo



"Eu cai tanto na minha vida que aprendi a ver o chão macio, eu sei que não plantei espinhos porque já voltei descalço pelo caminho e encontrei somente flores."

Rhenan Carvalho


Dói-te a vida?



Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:

- Dói-te alguma coisa?

- Dói-me a vida, doutor.

O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:

- E o que fazes quando te assaltam essas dores?

- O que melhor sei fazer, excelência.

- E o que é?

- É sonhar.

Mia Couto 
in Sonhar, O Fio das Missangas


Crédito da Imagem: Google



"Felicidade acontece em horinhas de descuido..."

João Guimarães Rosa



Crédito da imagem: facepage  Conti outra


domingo, 3 de junho de 2012

Que floresça!



Imagem daqui

Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça. 
Que cada florescimento seja tão risonho e amoroso 
que atraia os pássaros com o seu canto, 
as borboletas com as suas cores, 
o toque do sol com seu calor mais terno, 
e a chuva que derrama de nuvens infladas de paz.

Ana Jacomo


Bom domingo... boa semana!

Bjs.

Gif de flor


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Gentileza


No sábado passado, dia 29 de maio, completou-se 14 anos da morte do Profeta Gentileza.
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Em pleno centro urbano, carioca e contemporâneo, lá estava ele, conduzindo seu estandarte cheio de apliques estranhos, levando a todos a sua palavra...
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O que primeiro chamava atenção nele era a sua aparência estranha... e só depois do primeiro impacto conseguíamos perceber seu sorriso e sua gentileza. Com sua bata branca, andando pela rua, entre os carros que passavam apressados parecia um ser extemporâneo. Não de um momento futuro nem de um tempo passado, mas de um instante sagrado que não existe mais...
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Sentimos sua falta, Profeta...
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“Já há algum tempo que venho pensando e querendo gentileza.
Como tenho sentido falta de gentileza!
Aquela que chamo de gentileza urbana: ceder o acento para uma pessoa mais idosa, mais cansada; abrir a porta, seja do carro, do elevador, de casa, do bar; ajudar com a bagagem, com as compras; olhar nos olhos e dizer: bom dia, tenha uma boa tarde, por favor, obrigada, seja bem vindo, volte sempre; sorrir; ouvir; deixar passar; ceder a vez; oferecer.
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Oferecer encanto, cortesia, graça. Oferecer um beijo, um minuto de atenção.
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Ultimamente, as pessoas têm se colocado tão sem tempo, que esquecem de ser gente.
Esquecem que ser gente é ser carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo”.
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Adriana Falcão
in "Pequeno dicionário de palavras ao vento"
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Almas férteis

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ALMAS FÉRTEIS
- Silvio Reda -
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Viver é um exercício constante de expansão e de introspecção. Há o momento de sairmos, de nos tornarmos transeuntes do mundo e há o instante de nos voltarmos para nós, tornando-nos agrimensores de nós mesmos.
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Tanto sair como ingressar pressupõe compreensão. Compreender a si é imprescindível para entender o que está acontecendo fora de si. Ocorre que hoje em dia somente as atrações do mundo exterior são valorizadas e incentivadas. Aqueles que se dispõem a ver-se por dentro pagam a taxa de serem encarados como excêntricos.
Quem melhor se enxerga por dentro, mais nítida e honestamente transparece para fora. Esse desencontro consigo tem gerado uma sociedade apressada e que a quase tudo enxerga como algo descartável. Os sentimentos e as próprias pessoas passaram a mercadorias ambulantes.

Há um mercado de interesses e não uma comunidade de valores. Mas não precisamos ser pessimistas acreditando que estamos perdidos. Não estamos, o que há é que estamos, isso sim, desacostumados a valorar. Como o ex-aluno que há muito não vai à escola e perde o ritmo e o talento frente à realização das lições dadas e exigidas.

Há muito que não comparecemos às aulas dos verdadeiros e honestos sentimentos; há muito que deixamos de freqüentar a classe de um melhor comportamento moral e ético; há muito que deixamos de nos expressar por um olhar, por um abraço, por um beijo.

Estamos desabituados a estas singelezas e sutilezas da nossa própria natureza humana, porque um dia passamos a preferir a mecânica grosseira da satisfação rápida e interesseira de nossas necessidades, do que satisfazê-las diariamente pela própria noção de esforço e responsabilidade.
De sujeitos começamos a nos tratar como objetos. Contudo, há um fertilizante que nunca perece em nossas almas. Um fertilizante chamado amor.
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Almas férteis são aquelas que permitem o plantio dos sentimentos e das intenções alheias em si e que do que em si possuem no outro plantam. Que confiam na boa semente de seu semelhante.
Que tratam e cuidam dessa cultura amorosa do dar e do receber sem a qual ninguém sobrevive.
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Almas férteis se encontram no arado de um olhar, no adubo natural de um abraço, nas estações sempre propícias de se colherem beijos e mais beijos. Almas férteis alimentam e são alimentadas em qualquer situação. Sabem que nada é descartável, porém tudo inesgotável e por estarem cientes disso estão sempre prontas a recomeçar de qualquer oportunidade, pois toda ocasião, para elas, se torna um momento qualificado para melhorar o que em si sempre pode ser melhorado ampliando a realidade no cotidiano do mundo.
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Almas fecundas não se encontram em qualquer fazenda existencial, mas toda fazenda é capaz de produzi-la e tê-la, pois onde houver sido deixada uma semente de amor haverá a capacidade divina de fazê-la fecundar.
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Somos a semente e somos o solo. Que saibamos eclodir no solo alheio que nos recebe em seu plantio, bem como receber no nosso a semente que nos confiam fazendo dela planta que se soma e se integra a nós mesmos.
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Clariceando...

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Iniciando a semana... com calma e delicadeza...
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e com Clarice:
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"Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos.
(...)
Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante. Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, (...), morta.
Jogo-a fora (...) também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.
Um dia uma folha me bateu nos cílios.
Achei Deus de uma grande delicadeza."
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Clarice Lispector

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segunda-feira, 15 de março de 2010

O semeador de estrelas

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O Semeador de Estrelas é uma estátua que está em Kaunas, Lituânia.
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Se você a olhar assim, durante o dia, não tem nada de especial, é somente uma estátua a mais na zona urbana...
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Mas quando a noite chega, a estátua justifica seu título.
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Com a escuridão seu nome passa a fazer sentido.
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sábado, 26 de dezembro de 2009

Miudezas

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fotografia daqui
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"Acho que Deus, cansado de grandiosidades,
gosta de miudezas."
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Oswaldo Antônio Begiato

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sábado, 19 de dezembro de 2009

Um mar de fogueirinhas

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"Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado lá do alto, a vida humana.
E disse que somos um mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - revelou - Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores.
Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos são bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar;
e quem chega perto pega fogo."
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Eduardo Galeano

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Senhora das Flores

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A mais linda de todas as estações começou por aqui já há alguns dias, mas o clima anda meio enlouquecido. As claras manhãs de setembro cederam lugar ao cinza das chuvas que têm caído copiosamente sobre o Rio de Janeiro. Mas eu sei que ela, a Primavera, a doce "Senhora" está aqui... se preparando para encher de cores e perfumes os nossos dias.

.Tenho visitado alguns blogs e muitos são os posts que dão as boas vindas a Primavera, numa proliferação de flores, poesias e texto belíssimos. E hoje vou reproduzir aqui uma crônica encantadora de autoria de Fernando Campanella que, muito gentilmente, autorizou-me a publicação:

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"A SENHORA DAS FLORES"
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Foto daqui

Está agendado lá no calendário: dia 22 de setembro de 2009, precisamente às 18h19, ela chega, a senhorinha das flores. Vem um pouco adiantada neste ano, visto que oficialmente deveria aparecer no dia 23 de setembro.

É uma senhora vetusta, mas obstinada e dura na queda, sempre atuante entre os equinócios de primavera e os solstícios de verão. Tão velhinha, sim, porém sempre aprumada, aromática, a trazer no rosto, por sobre as espessas rugas, um mais suave tom em carmim.

Tão prestimosa, não obstante a concreta frieza das cidades e a dureza dos homens.

Tão dinâmica, um espetáculo de vitalidade e vibração, colocando muitos jovens no chinelo. Nem bem chega e já derrama as chuvas, põe a trabalhar os campos e os jardins. Guarnece os caminhos e os canteiros de margaridinhas, gérberas, jasmins, manacás... Espeta as abelhas e as borboletas preguiçosas. Espanta os filhotes de pássaros das cornijas, instruindo-os a voar.

E tão invasiva, essa anciã: escancara minhas janelas, arregaça minhas mangas, botando -me a espanar as teias, a varrer as folhas residuais do inverno. E ainda faz mote de meus ares introspectivos, de minha ficção outonal.

No dia 22, às 18h19, pois, ela chega, deliciosamente incômoda, assertiva, anunciando que com ela não tem tempo frio, nem árvores secas.

E novamente trará seu antigo, imenso barco onde me acomodará. Içará então as velas, e com seu invejável fôlego me tornará redivivo, despachando-me para mares do sul com seus luminosos jardins de coral.


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Fernando Campanella é poeta. Vale a pena uma visita sem pressa ao seu Blog Palavreares,
um espaço encantado, repleto de poesias, crônicas e imagens.


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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Pessoas especiais

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"Deveria chamar-te claridade pelo modo espontâneo, franco e aberto, com que encheste de cor meu mundo escuro..."
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Vinícius de Moraes

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Teu céu

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"Mas que céu pode satisfazer
teu sonho de céu? "
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Manuel Bandeira

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sábado, 15 de agosto de 2009

Vida

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"- Sabe, eu vi o sol se pôr trinta mil vezes, e não consigo me lembrar de duas que tenham sido iguais.
Que mais é possível desejar?"
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Jim Dodge
in Fup (Nova Fronteira, pg. 72)

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domingo, 9 de agosto de 2009

Contos de fada

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"Uma manhã, a gente acorda e diz:
"Era só um conto de fadas..."
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E a gente sorri de si mesma. Mas, no fundo, não estamos sorrindo.
Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida."
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Antoine de Saint-Exupéry

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sábado, 1 de agosto de 2009

A importância das coisas

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"... que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica
nem com balanças nem com barômetros etc.
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Que a importância de uma coisa há de ser medida pelo encantamento
que a coisa produza em nós."
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Manoel de Barros

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Reach the stars

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"Quem nos deu asas para andar de rastos? Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?!"
...
Florbela Espanca

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domingo, 24 de maio de 2009

Indivisíveis

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"O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas, isto é, que a gente achava bobas como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças... Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos a não ser o azul imenso dos olhos dela, olhos que eu não encontrava em ninguém mais, nem no cachorro e no gato da casa, que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso e a mesma animal
- ou celestial - inocência, porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu.
Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto que não havia ali apenas duas encantadas criaturas mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra."
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Mário Quintana
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