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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sobre a tal tolerância



Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? 
Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? 
O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. 
Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. 
E horror é uma gentileza. 

Charles Bukowski




Crédito da imagem: encontrada no Google, sob o nome de Sede de Camomila neste site

domingo, 27 de abril de 2014

Nossos tempos


A ciranda do comer, desciranda da fome


Primeiro foi nossa mãe que deu de não mais comer. Em meu desentender eu admirava aquilo. Ela servia-nos as pequenas porções em cumbucas de plástico, se sentava num canto e trocava olhares cumpliciosos com a santa triste do quadro na parede.

Sentados no chão, em roda, todos os filhos comiam o de comer e as palavras, ninguém dava assunto falado, apenas uma ou outra vez olhávamos os olhares silenciosos das duas santas trocando diálogo mudo, uma em cada canto do cômodo pobre.

Nosso pai comia de pé, tinha preferência por não utilizar pratos, se servindo na própria panela de barro à beira do fogão. Comia pouco o nosso pai, um quase nada, o que me causava de incompreender.
Um a um íamos terminando nossa rala refeição, e, quando cada um se erguia, dava sempre uma espiada pidona pra ele, que comovido repartia com todos o pouco que lhe restava, engolia uma água barrenta, dedicava um olhar terno à nossa mãe e saía.

Ela se levantava trôpega, desistida dos olhares da santa, miúda e sumida dentro do vestido largo e gasto; encostada no batente da porta ela dava dois minutos a olhar ele sumindo na estrada. Depois ela sacudia os braços fingindo tanger algum bicho, nas sacudidas batia os dedos na porta e quando se virava estava com os olhinhos cheios d’água, se culpando pela distração. Nossa mãe, quando deu de não mais comer, deu também de não chorar pela miséria.

O sol grande ainda tinha metade do dia para cumprir sua sina; e nosso pai um tanto disso também para conseguir a próxima refeição. À vezes, em muitos às vezes, ele falhava de não conseguir, e retornava calado, recusando nossos olhares famintos.

Depois foi nosso pai que deu de não mais comer, imitando nossa mãe, se resguardando para as magrezas que faziam morada em seu corpo, e juntava os beiços assobiando melodias tristes pra tanger a fome.
Certo dia, enquanto sentados no chão em ciranda aguardávamos as nossas porções de comida, ele fez com que nosso irmão mais velho saísse da roda. Nossa mãe suplicou com o olhar, pedindo socorro à santa do quadro na parede; tive a sensação que a santa evitou o olhar angustiante de nossa mãe. O prato de nosso irmão permaneceu vazio e só.

Agora foi nosso irmão mais velho que deu de não mais comer. Seus olhos se afundavam na cara, sumiam lá pra dentro das cavas, insistiam em nos fazer doer umas dores estranhas quando dávamos com seus olhos. Ele, mais nosso pai, repartiam as magrezas pelos seus corpos. Nossa mãe, distraída, se atropelava pelos dedos quando sacudia os braços tangendo bichos que não se via, e chorava de dor servindo o de comer que cada dia era menos e menos.

Noutro dia foi a minha vez, também dei de não mais comer. E a ciranda de meninos sentado no chão foi se diminuindo sob o olhar triste da santa na parede.

Joilson Kariri - Sertão Urbano



Crédito da imagem: Google


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Árvore Genealógica




- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça? 
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... meio-macho... Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu... a minha... O Murilo? 
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido. 
- Tá! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?
- Por quê?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metades com bigode.
- Mãe, que besteira... Hoje em dia... Praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como?
- Veruska...
- Ah! Bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe!!!...
- Tá..., tá..., tudo bem.... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...
- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero... A Veruska.
- Que Veruska?
- Namorada da Bel...
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel... É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem?
- Da Bel.
- Mas. Logo da Bel?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel..., além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E no ano que vem, vai ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!....
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas...
- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que....
- Que…?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser f......!

Crônica do Luís Fernando Veríssimo 
Folha de S. Paulo


domingo, 8 de novembro de 2009

Por nossas crianças...

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Foto daqui
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“Um dia as crianças aprenderão palavras difíceis de compreender!
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As crianças da África vão perguntar:
- Mas o que é fome?
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E as crianças americanas ou da África do Sul perguntarão:
- E o que é segregação racial?
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As crianças japonesas perguntarão, curiosas:
- O que é bomba atômica?
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E todas as crianças do mundo perguntarão:
- Guerra? O que é isto?”
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Debruyne
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O homem

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O homem é um reles animal, que se orgulha de ser racional.
Um tantinho emocional, mas seu instinto não nega.
Às vezes como canibais, devoram seus iguais,
e os diferentes? Segrega...
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J B Ziegler

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Rabiscos

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"E eu que me contentava com risco de giz na lousa, nem desconfiava da vastidão do verbo riscar. Riscar palavras que sobram nos poemas, riscar pessoas que me machucaram, riscar o medo. Aquele medo que era do tamanho do meu desejo. Vontade de arriscar."
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Gisela Gold
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

13 de Maio - Dia da Abolição da Escravidão

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"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos havera guerra."
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"Discriminação, este câncer da humanidade, deveria ter como exemplo
a sabedoria dos vermes, que se alimentam de todos, após a morte,
sem escolher o cardápio."
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Inclusão social - Blogagem Coletiva

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INCLUSÃO SOCIAL - FAVELA/PERIFERIA
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Ao pensar no tema desta Blogagem Coletiva promovida pela Ester do Blog Esterança, optei por postar sobre o desafio da Inclusão Social que se busca no âmbito Favela/Periferia.
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" Todos somos iguais e na realidade, as diferentes raças humanas se tornam algo superficial, já que todos nós viemos do mesmo lugar e possuímos um laço familiar com uma mesma mulher. A razão pela qual nos vemos diferentes uns aos outros deve-se a diferenças ambientais e a mudanças de nossa pele e cultura no decorrer dos anos... contudo, somos todos iguais!"
(mother of us all.) - http://dsc.discovery.com/


INCLUSÃO SOCIAL - PERIFERIA

No Rio de Janeiro existe atualmente mais de 700 favelas, onde vive aproximadamente 20% de sua população. As favelas não se localizam apenas na periferia da cidade, mas situam-se historicamente também dentro dos bairros centrais e mais caros. Seus habitantes participam ativamente do cotidiano e da vida econômica da cidade, desempenhando os mais diversos trabalhos e funções. Profundamente enraizadas na cultura brasileira, seja através do samba, do carnaval ou do funk, as favelas têm também configurações urbanas próprias, que resultam das construções realizadas pelos próprios moradores, e que acabam por se constituir como espaços de fato da cidade.

Apesar disto, o preconceito histórico em relação às favelas, alimentado pelo controle territorial exercido pelo narcotráfico a partir das últimas décadas, faz com que estas e seus habitantes sejam estigmatizados e responsabilizados pelas às mazelas da cidade, numa lógica perversa que ignora que as favelas são justamente o resultado de uma sociedade desigual.

Várias ONGs têm apresentado projetos com intuito de elevação à auto-estima, inclusão social e combate a violência, objetivando inserir a população das favelas na sociedade e no meio cultural, divulgar a arte e cultura da periferia para construção de uma cidadania e contribuir para redução da discriminação e da violência nas favelas.

As atividades destas ONGs baseiam-se, geralmente, na divulgação dos trabalhos de cunho artístico dos moradores das favelas, além de manter projetos de comunicação popular e cultural. Todas as organizações não governamentais possuem o mesmo objetivo e se complementam entre si em busca do mesmo - promover a atividade artística e cultural como forma de construção da cidadania e melhoria da qualidade de vida.

Os artistas das favelas enfrentam barreiras ocasionadas pelo preconceito e estavam desmotivados a seguirem seus trabalhos por serem titulados pela sociedade como marginais. A falta de bens matérias, espaços para ensaios e difícil acesso à mídia era o que mais dificultavam a concretização desses sonhos. A criação de diversas ONGs possibilitou meios para que fossem realizadas diversas manifestações como uma forma de mudar essa atual situação, porém esta condição ainda ocorre em muitas periferias de todo o Brasil.



DA FAVELA PARA O MUNDO

O Grupo Cultural Afro Reggae foi criado em 1993 para dar oportunidade a jovens ociosos, envolvidos com o tráfico ou próximos disso. Atuando em comunidades pobres e oferecendo atividades como circo, teatro, dança, esporte e música, o grupo completou em 2003 dez anos de muita luta, conquistas e resultados expressivos.O livro editado pela Aeroplano com apoio da Takano, da Fundação Ford e do próprio grupo, recebeu o capricho merecido da Tecnopop, num projeto gráfico de Sonia Barreto


A MELHOR RESPOSTA
Prefácio de Zuenir Ventura para o livro"Da favela para o mundo"

Essa é a história de um grupo contada por um de seus criadores e prefaciada por um admirador que há dez anos acompanha os dois, tendo praticamente assistido ao nascimento do Afro Reggae. Ver essa turma crescer e sobreviver às dificuldades, impor-se aqui e lá fora, obter sucesso e fama é um privilégio que me enche de satisfação, principalmente porque se trata de uma experiência que pode servir de exemplo para outras comunidades pobres da cidade e do país.

O nosso caso de amor, meu com o Afro Reggae, começou quando desembarquei pela primeira vez em Vigário Geral, lá pelos idos de 1993, numa tarde ensolarada de outubro, para conhecer a favela um mês depois da chacina de 21 de seus moradores, barbaramente consumada pela tropa de policiais chamada Cavalos Corredores.

A experiência de freqüentar Vigário, de conhecer sua gente, que foi para mim uma das mais ricas profissional e existencialmente, iria ser incorporada ao livro Cidade Partida. Naquele momento, porém, eu estava ali como um jornalista interessado em saber como tinha sido possível tanta violência contra cidadãos pacíficos e inocentes. A comunidade estava naturalmente traumatizada, mas o que mais me impressionou foi que, por detrás do luto e do sofrimento, não havia ódio, não havia desejo de vingança, não havia vontade de represália. Só dor.

À noite seria realizado na quadra da favela o primeiro show depois da chacina, o Vigário in Concert Geral. Enquanto esperava, fiquei conversando com alguns jovens, aos quais acabara de ser apresentado. Cinco deles me chamaram a atenção pelas camisas multicoloridas e o cabelo rastafári. Alguém me disse que eles eram do Afro Reggae – e foi assim que ouvi pela primeira vez o nome.

A história desses dez anos, vocês verão lendo o livro, foi cheia de conquistas, mas também de tensão e medo. Não é fácil fazer o bem na favela. É como andar sobre um fio da navalha, tendo de um lado a violência do tráfico e do outro a da polícia, as suspeitas de uns e de outros. O fascínio juvenil pela aventura e pelo risco, a tentação do enriquecimento rápido e ilícito, o aceno sedutor das drogas, a "glória" efêmera e o poder das armas, tudo isso, aliado ao desemprego, à miséria e à falta de perspectiva, funciona como obstáculos e impedimentos a um trabalho de integração social.

Em meio a esse caldo de cultura, como disputar com o narcotráfico os corações e mentes da juventude? Não conheço melhor resposta a essa angustiante questão do que a que tem sido dada pelo Afro Reggae, que oferece como substitutos à viagem fugaz, que leva ao inferno pensando estar levando ao paraíso, o prazer e a sedução pela arte, a oferta enfim de um caminho com futuro, segurança e a possibilidade de sucesso.

O que mais admiro na experiência do Afro Reggae é o zelo e o rigor na formação de seus artistas. É um trabalho de inclusão social, de cidadania, bem entendido, mas também um projeto de inserção cultural. José Junior não se contenta em tirar da marginalidade, das zonas de risco, os jovens a perigo, o que já seria uma louvável tarefa. Ele quer lhes dar um emprego, uma profissão, fazer deles artistas competentes. Daí o nível de exigência na formação da consciência profissional de cada um, da responsabilidade e da noção do ofício.

Não por moralismo, mas porque assistiu ao fim trágico de muitos de seus colegas e amigos de infância, Junior abomina as drogas, o que pode surpreender, tendo em vista inclusive o seu ritmo febril de trabalho, o seu pique incansável. "Muita gente duvida que não cheiro pó. Mas nunca cheirei, nem fumei maconha, nem tomei um copo de vinho e nem brindei com champanhe. Nem joguei. Cresci vendo as conseqüências maléficas".

Essa disciplina espartana que ele se impõe funciona como exemplo, constitui sua melhor pedagogia. Por tudo isso é que acho que os dez anos do Afro Reggae são apenas o começo.



ARTE PARA TRANSFORMAR A REALIDADE




VIDEO NO RITIMO DA INCLUSÃO SOCIAL

A F/Nazca S&S acaba de produzir pela O2 Filmes um vídeo de animação para a campanha institucional da ONG carioca AfroReggae. A criação mostra, de maneira bastante simpática, o resgate e a conquista de meninos da favela pela música. No filme, o muro retrata o preconceito da sociedade, que é quebrado quando a música vem para transformar em elo o que era distância.




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Este post faz parte da Blogagem Coletiva INCLUSÃO SOCIAL, promovida pelo Blog ESTERANÇA.

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Obrigada, Ester. Foi um prazer participar.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Tênue esperança

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Uma notícia nos jornais de ontem nos deixava com uma tênue esperança do cessar fogo em Gaza, já que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na noite de quinta-feira (15/01) uma resolução que pedia um cessar-fogo imediato nas hostilidades em Gaza, seguido por uma retirada das forças israelenses da região.
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Mas essas Forças voltaram a atacar a ONU na Faixa de Gaza, neste sábado, matando dois meninos palestinos e outras cinco pessoas que estavam refugiadas num colégio da agência. Quatorze pessoas ficaram feridas no ataque em uma escola da entidade em Beit Lahiya, após fugirem de suas casas por causa da ofensiva. O prédio atingido abrigava 1.600 pessoas no momento do bombardeio.
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A ação das Forças israelenses ocorreu no mesmo dia em que há grande expectativa de Israel declarar de cessar-fogo unilateral.
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Vários são o movimentos pelo mundo inteiro pedindo esse cessar fogo imediato, além da Onu e da U. E.
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Na 5ª feira passada, ao participar das Tertúlias Virtuais, (uma central de relacionamento da Blogosfera que promove todo dia 15 de cada mês um blogagem coletiva sobre um tema pré-determinado) tomei conhecimento, através de um dos blogueiros participantes (Milton Ribeiro), de uma Declaração de uma Associação judaica no Rio de Janeiro, a Associação Scholem Aleichem do Rio de Janeiro, visando conscientizar as pessoas sobre o massacre de Gaza, repudiando a intervenção militar na Faixa de Gaza e pedindo um cessar-fogo imediato. Por julgar importante juntar cada voz que clame pela PAZ às nossas vozes, transcrevo abaixo, o texto desta Declaração:
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A operação de guerra de Israel contra a Faixa de Gaza realimenta a espiral de violência no Oriente Médio. São centenas de mortos e feridos palestinos, muitos
não-combatentes, atingidos por armamento de última geração. A resposta do Hamás,
com mísseis artesanais, matou e feriu israelenses, causando pequenos danos materiais.

Desde a retirada de Israel da Faixa de Gaza, em 2005, a área vem sendo submetida a uma asfixia quase permanente. Israel controla as fronteiras terrestre, marítima e aérea. Os palestinos dependem integralmente do fornecimento de água, eletricidade e combustíveis israelenses (que determinam, também, os custos destes insumos). A
movimentação de pessoas e mercadorias é severamente restringida, afetando
duramente a economia local.

O resultado é o crescimento da pobreza, do desemprego, da desesperança, da radicalização. Gaza é um dos lugares com maior densidade populacional do planeta, tornando impossível um bombardeio “cirúrgico”, ou seja, que atinja apenas alvos
militares.

Até recentemente, vigorou um cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamás (prova de
que existe uma interlocução possível, desde que haja vontade política). Seu fim trouxe de volta os mísseis Qassam sobre o sul de Israel.
Todos os países têm o direito e a obrigação de defender seus cidadãos. A pergunta
que se faz é: a destruição maciça de vidas e bens palestinos protegerá os cidadãos de Israel? A História mostra que não.

O apoio ao Hamas só tem aumentado com as ações militares israelenses.Cada vez que um prédio, uma rua, um carro, é bombardeado em Gaza, a popularidade dos setores mais intransigentes do grupo se reforça. É uma ilusão perigosa imaginar que, quanto mais se espancarem os palestinos, mais dóceis eles ficarão.

Conforme destacou o historiador Tom Segev, jamais uma operação militar terminou em progresso na direção da paz com os palestinos. Por trás de tudo, uma equação sinistra: mais descrédito para o diálogo é igual a mais oxigênio para as bombas.
Na presente situação, defendemos as mesmas posições tornadas públicas inúmeras vezes:

* Não há solução militar para os conflitos entre israelenses e palestinos!

*O terrorismo de grupos ou estados é igualmente execrável. As leis internacionais
condenam com clareza ataques contra alvos civis.

*A criação de um Estado palestino laico e democrático, com fronteiras internacionalmente reconhecidas e com todos os direitos e deveres dos Estados modernos, que viva em paz ao lado de Israel, é o caminho possível para dissolver as tensões no Oriente Médio.

O momento exige um imediato cessar-fogo em Gaza, o fim do lançamento de
mísseis, o reinício emergencial da ajuda humanitária para os palestinos e a
construção de mecanismos multilaterais de negociação.
Sem isso, a iniciativa continuará com os que apostam tudo na força das armas.

Diretoria da ASA - Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação.

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