segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A familia "encolheu"

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Se você tem 40 anos ou mais, provavelmente se lembra daqueles grandes almoços de família aos domingos, na casa da mãe ou da avó. Desses almoços faziam parte pelo menos outros dez ou vinte parentes. Lá em casa de minha avó era assim: todos chegavam cedo, e as mulheres se reuniam na cozinha para preparar o almoço, a massa do espaguete, o frango assado, a salada...
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E era uma verdadeira festa. Não faltava a sobremesa, o vinho, a cerveja... A conversa e a comilança se estendia até a noite, quando as mulheres iam para a cozinha preparar um lanchinho, invariavelmente uma pizza, para finalizar o encontro.
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E só então todos iam embora...
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Mas, há uns vinte anos, minha avó precisou vender a casa. A idade foi chegando e ela se sentia incapaz de cuidar de uma casa tão grande, e se mudou para um apartamento próximo a casa de minha tia. Como resultado disso, o número dos convidados para o almoço de domingo caiu consideravelmente. Meus primos foram os primeiros a desistir e não aparecerem mais. Meu irmão também deixou de visitar a vovó semanalmente. Meus tios se divorciaram.... Meus pais faleceram e aqueles grande almoços de família ficaram somente na memória. Nem lembro mais quando foi a última vez que minha família se reuniu.
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E é assim: hoje em dia essa tradição ficou mesmo para trás, excluída de um tempo onde todos têm muita autonomia desde cedo. Esse encolhimento da família acontece na maioria das casas brasileiras. Aquela família enorme, com dezenas de primos, tios e agregados está em extinção.
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Os estudos mostram alguma causas para esse fenômeno:
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1) A queda acentuada da taxa de fecundidade: na década de 70 cada familia gerava entre 6 e 7 filhos; hoje essa taxa caiu para 1 e 2 filhos.
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2) O grande número de separações: segundo o IBGE, o número de divórcios no Brasil aumentou em 52% nos ultimos dez anos.
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3) A desfragmentação dos núcleos familiares: os laços com primos de graus distantes e tios de gerações anteriores perderam a força; a família nuclear, composta de pais e filhos, é mais individualista, e não aceita a interferência dos parentes mais distantes na educação de suas crianças.
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4) A taxa de urbanização no Brasil nos anos 80 era de 65% e hoje é de 83,5%: as famílias se cindiram, com parentes mudando-se do campo para os centros urbanos.
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5) A transformação social: há doze anos 56,5% das famílias tinham filhos morando em casa. Em 2007, esse número baixou para 49%. Muitas famílias hoje em dia tem os filhos morando em outras cidades, e até mesmo em outros países
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Éramos tantos e hoje somos tão poucos!
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Os casais têm menos filhos, os filhos se dispersam, os primos desaparecem, ninguém quer opinião da tia – e as famílias enormes viram um retrato na parede.
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Fonte: Revista Veja

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10 comentários:

Georgia disse...

Oi Dalva, é verdade. Sinto saudades desses encontros de família. No meu caso a cada 4 anos tento reunir a família. Meus pais vivem em Natal. meus irmaos no RJ; uma loucura ter que juntar todo mundo.
Com isso vejo que os números de divórcio aumentam, pois nao há mais lacos de família.
O respeito ao mais velho se foi há muito tempo; todas as coisas boas estao se indo. Que pena!

Boa semana

Bjao

Wania disse...

Oi, Dalva

Triste realidade esta nossa né? Se um lado se ganha em alguns aspectos por outro se perdem estes laços afetivos tão importantes e essenciais para se formar as personalidades de cada um!
Isso, com certeza, explica o distanciamento e o individualismo de sentimentos que experimentamos hoje!

Minha avó era quem unia todos em deliciosos almoços de domingo que se estendiam até o final da tarde, acabando em mais comilança. Que delícia de lembranças, posso até sentir os cheirinhos que saíam da sua cozinha e o gosto do carinho que ela nos servia sempre!

Lindo post!

Bjão e boa semana!

jamesp. disse...

Oi,Dalva.Me lembro,quando criança,de famílias com sete,oito filhos,aqui no interior de Minas.Hoje,não existem mais.Na minha geração quase todos os casais têm 1 ou 2 filhos no máximo.Acho bom,proporciona uma vida melhor,melhor educação,enfim,melhores condições de vida.
Abraço.

Lunna disse...

As fotos me fizeram lembrar da minha família. A nona teve 16 filhos (aff) e seus filhos não tiveram mais que dois cada um. Isso quando tiveram. Acho que ela tinha menos netos que filhos. rs
As reuniões eram constantes e ainda me lembro disso. Era uma delícia se reunir na casa dela, mas hoje em dia, isso se perdeu por completo. Lamentável, mas é a realidade atual...
Bjs

Emanuel disse...

Antes éramos continente.
Hoje somos um arquipélago de solidões.
Bjo

A Madrasta Má disse...

Como gostamos de andar em bandos, no meu caso sou tia torta de um tanto, irmã de outros kkkkkkkkkkk e claro madrasta!
Bjinhos da Madrasta!

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Acabei de chegar de viagem e Jota Cê ainda está voando, chega só à noite. Estou com tanta saudade de vocês, acreditam? Esse carinho pelas palavras faz uma falta, mas sei que vocês sabem que essa ausência foi por uma boa causa. Amanhã é nossa blogagem coletiva e vou esclarecer o método para alguns que não entenderam:

1- Todos os participantes vão ter que postar o seu conto/texto no seu blog com o selo da postagem.
2- Só vai participar do sorteio do orkut e das bíblias quem participou da blogagem
3- O sorteio do orkut vai ser pelo randon e vou dar um jeito pra ser filmado no dia 25/11
4- A votação da blogagem começa no dia 25/11 e todos os participantes irão concorrer.

Agora vou ver se durmo um pouco... tô numa saudade que nem sei... a distância maltrata, mas o amor acarinha com aquele dengo danado de bom.

Beijos jogados no ar, sempre!

Rebeca


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Apolinário Júnior disse...

Dalva, que bela reflexão!

Realmente as mudanças no mundo moderno estão mais intolerantes. Ainda não tenho 40 ou mais, mas também me recordo dos almoços na casa da vovó (materna) e principalmente das sensações que aqueles domingos me proporcionavam... sabe, pensando bem, acho que vou promover um almoço desses aqui em casa... antes que seja tarde!

Um grande biejo e boa semana!
Apolinário Júnior.

Memória de Elefante disse...

Oi dalva!

Ótimo texto, bastante reflexivo e confesso que senti saudade daquela época que guardo na memória do coração.O que vivemos está ali guardado!
Sinto que a geração de hoje, principalmente em centros maiores tenham perdido estes "laços"!

Um beijo

Tucha disse...

O incrivel é que mesmo tendo encolhido muitas vezes permanecemos família, com laços, com afeto, com carinho... nos transformamos.

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